
Fonte: http://www.jcolv.com/world_is_vegan
Matéria do Jornal Nacional de ontem celebra o experimento, feito por cientistas americanos, de implante de um chip no cérebro de macacos que conseguiram mover um braço robótico "com a força do pensamento".
Já comentei num post anterior a respeito das considerações de Pasolini sobre Jasão, no seu filme Medeia, em que o cineasta salienta a trajetória do personagem como a passagem da percepção mágica da natureza (e do mundo) para uma abordagem pragmática. Uma trajetória que é a da mentalidade ocidental. A civilização mesma como processo de afastamento do mágico, e isso é um pouco mais do que a simples tentativa de racionalização do mágico. Nossa história civilizatória tem sido a da alienação dos aspectos sagrados, inalcançáveis e autodeterminados daquilo que, quanto mais alienado, mais passa a parecer como realidade externa e independente, a Natureza em si. Se foi pela cultura que atribuímos magia à realidade, foi também pela cultura que acabamos atribuindo naturalidade à natureza, e de tal maneira que esta passou a ser considerada a tabula rasa, um mero cenário a partir do qual e sobre o qual atuar, um ajuntamento de dados factuais que constituem a realidade física.
Assisti incrédulo à matéria do Jornal da Globo do último dia 15 sobre o pouso de emergência do airbus da US Airways no rio Hudson, em Nova Iorque. Siga o link e confira o vídeo: são exatos 6 min 42 s, dos quais os últimos 2 min e quase 20 s são dedicados integralmente a destacar o heroísmo do piloto. Esse tempo foi recheado dos seguintes termos: "competência", "habilidade do profissional", "currículo", "homem ideal", "performance", "alta performance", "empresa", "empreendorismo", entre outros. "Heroico" e "herói" aparecem quatro vezes ao longo da matéria.
Vários blogs já repercutiram o artigo de Naomi Klein no The Nation, publicado no último dia 7, em que ela defende a ideia de boicote aos produtos israelenses como forma de pressão mundial contra os crimes do Estado de Israel. Ali fiquei sabendo da existência do Global BDS Movement – Boycott, Divestment and Sanctions for Palestine, movimento que desde 2005 congrega várias organizações palestinas na divulgação e defesa de ações de boicote, desinvestimento e sanções contra Israel.
Li no RS Urgente sobre o excelente artigo escrito pelo jornalista inglês Robert Fisk para o The Independent, que depois descobri, pelo O Biscoito Fino e a Massa, estar traduzido no blog Amálgama. Recomendo a leitura: Fisk fala das comparações utilizadas como argumento pró-Israel, recorrentes pelo mundo afora e caracteristicamente estúpidas e parciais (do tipo imagine-se como israelense sob foguetes Qassam, mas não ouse imaginar-se como palestino sob o pesado bombardeio de Israel), e termina o texto narrando um debate do qual participou em que o oposto disso, a recusa da possibilidade de comparação, toma as vezes de argumento. Reproduzo abaixo:
Não há como olhar para qualquer desses massacres deliberados, friamente arquitetados, sem fazer uma comparação com o holocausto diário que os humanos inflingimos aos animais. Olho para Gaza e lembro dos aviários, dos abatedouros, das fazendas de pele, do confinamento das linhas de produção da indústria de exploração animal. Aqui só se ofende com a comparação quem estabelece a diferença entre espécies como a blindagem adequada para escapar dessa discussão. É uma blindagem de fato eficaz, basta olharmos para os números do contador que o blog mantém logo ali acima à esquerda. Eficaz, mas nem por isso livre de buracos de incoerência e inconsistência lógica. Sem hesitação dizemos que os habitantes de Gaza estão "enjaulados como animais", numa comparação óbvia e inquestionável, mas não nos permitimos entender que por sua vez os animais enjaulados sofrem, no mínimo, como sofre hoje a população de Gaza.
Já disse aqui que O Biscoito Fino e a Massa é o meu blog favorito, e volto a falar dele para recomendá-lo ainda mais nestes dias terríveis em que a criminalidade do Estado de Israel nos desafia a encontrar as palavras certas para o aparentemente inominável. Mas todo crime tem nome, sim, e Idelber Avelar está fazendo um trabalho extraordinário de opinião, informação e compilação sobre os horrores por que passa a população palestina, fundamental para que atravessemos a barreira espessa criada e mantida, mais ou menos intencionalmente, pela grande imprensa em sua quase totalidade.
A imagem acima foi retirada de um post do blog Diário Gauche (clique para visualizar melhor). Segue abaixo, na íntegra, um post do blog O Biscoito Fino e a Massa que reproduz as palavras mais bonitas, lúcidas e
As humildes sugestões que se seguem são baseadas nos meus 70 anos de experiência como combatente de trincheiras, soldado das forças especiais na guerra de 1948, editor-em-chefe de uma revista de notícias, membro do parlamento israelense e um dos fundadores do movimento pela paz:
Do site do GAE vem a notícia da aprovação do projeto de lei complementar, na Câmara Munipal de Porto Alegre, que "desclassifica como ato lesivo, no Código Municipal de Limpeza Urbana, a deposição em locais públicos de animais mortos, normalmente utilizados em cultos e liturgias de religiões afros". Prossegue a nota:Número de animais mortos no mundo pela indústria da carne, latícinios e ovos desde que você abriu esta página. Este contador não inclui os bilhões de peixes e outros animais aquáticos mortos anualmente.
Baseado em estatísticas de 2007 da FAO (Food and Agriculture Organization) das Nações Unidas, que você pode consultar em: Global Livestock Production and Health Atlas.
Contador: BeAutomated.com
[ tradução livre de excerto do site de Gary Francione, Animal Rights: The Abolitionist Approach ]