<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948</id><updated>2012-02-13T12:18:13.839-02:00</updated><title type='text'>vê de vegano</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>48</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-4386749533902306538</id><published>2010-04-02T21:46:00.006-03:00</published><updated>2010-04-03T18:06:37.718-03:00</updated><title type='text'>O contorno</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/S7aHpSj28yI/AAAAAAAAANI/MWgtEjrV9aA/s1600/contorno.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin: 5px 0px 3px;"&gt;&lt;img border="0" height="255" src="http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/S7aHpSj28yI/AAAAAAAAANI/MWgtEjrV9aA/s320/contorno.jpg" width="440" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Fonte: &lt;a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&amp;amp;local=1&amp;amp;section=Geral&amp;amp;newsID=a2860022.xml" target="_blank"&gt;http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&amp;amp;local=1&amp;amp;section=Geral&amp;amp;newsID=a2860022.xml&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vanderlei Pires, morador de Porto Alegre de 35 anos, dormia na rua na madrugada de hoje, 2 de abril, quando teve o corpo inteiro pintado com tinta spray prata. Ele só percebeu a agressão ao acordar, e ficou com a pele ardendo pelo contato com a tinta tóxica. Além disso, há uma testemunha que viu o motorista de um carro parar junto a Vanderlei, descer e urinar nas suas pernas, enquanto ria para o acompanhante que estava dentro do veículo. Segundo a testemunha, eram rapazes brancos e aparentavam ser de classe média alta. O caso foi notícia na TV e &lt;a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&amp;amp;local=1&amp;amp;section=Geral&amp;amp;newsID=a2859982.htm" target="_blank"&gt;internet&lt;/a&gt; e segue agora sendo investigado pela polícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assisti à notícia e lembrei imediatamente do índio pataxó &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Galdino_Jesus_dos_Santos" target="_blank"&gt;Galdino Jesus dos Santos&lt;/a&gt;, queimado vivo em Brasília em 1997, enquanto dormia em uma parada de ônibus, por cinco jovens brancos de famílias influentes da cidade. Um dos assassinos chegou a declarar que o álcool foi jogado e o fogo ateado porque eles haviam confundido Galdino com um mendigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente sabe do quanto os humanos somos capazes de violências como essas, por isso a agressão em si não me espanta mais do que o contexto onde ela ocorre. Costumamos balizar nossos atos de violência com algumas variáveis – como os conceitos de guerra e inimigo, por exemplo – e acabamos por justificá-los como "necessários". A partir daí, seremos questionados apenas se outra lógica, que não reconhece nossa justificativa como válida, nos confrontar. Para Hitler, e uma nação que adoeceu praticamente inteira sob seu carisma, a necessidade de resgatar uma mítica &lt;i&gt;Deutschland über alles&lt;/i&gt; forneceu o contorno que desenhou tanto a estética dos filmes de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Leni_riefenstahl" target="_blank"&gt;Leni Riefenstahl&lt;/a&gt; quanto o extermínio organizado dos campos de concentração. Mas ainda que nossa outra lógica não valide as justificativas nazistas, compreendemos as variáveis sucessivas sendo acionadas até que a necessidade da guerra total, acima de tudo e todos, se impusesse como um fato logicamente consumado. O nazismo é um desenho claro, de contornos nítidos, e por isso facilmente identificamos os focos de seu recrudescimento, ainda que disfarçados sob o desenho de outras cores e bandeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não há justificativa evidente que possamos validar nas agressões a Vanderlei e Galdino, tentamos buscar o que fundamenta a ação dos agressores, e a princípio o que aparece diante de nós é um vazio desconcertante. A necessidade, se tanto, era a de se divertir. Babacas, pensamos, playboys idiotas, filhinhos-de-papai autocentrados, monstros sem noção. Mas se nem um dicionário inteiro de xingamentos parece dar conta do nosso espanto, finalmente nos resta perguntar: quais são e como se conjugam as variáveis que justificam a escolha dessa diversão e desses alvos em particular? Talvez o desconcerto se dê porque, afinal, a gente sabe a resposta. Conhecemos bem a lógica dessa falta absoluta de empatia. Ela não tem exatamente um nome nem deriva de um conjunto fechado e definido de valores. É difusa, mas o que tem de escorregadia, tem de aterradora. Sem um desenho preciso, um tamanho exato, ela frequenta livremente os lugares mais insuspeitos e as mentes mais desarmadas. Entretanto ela nos pertence, e temos o dever reconhecê-la, dar-lhe um nome, entender o seu alcance. É necessário enxergá-la. Pois hoje o seu contorno apareceu desenhado, nitidamente, numa calçada de Porto Alegre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-4386749533902306538?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/4386749533902306538/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=4386749533902306538&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/4386749533902306538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/4386749533902306538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2010/04/o-contorno.html' title='O contorno'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/S7aHpSj28yI/AAAAAAAAANI/MWgtEjrV9aA/s72-c/contorno.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-4850347563940325320</id><published>2010-02-26T12:06:00.010-03:00</published><updated>2010-03-01T11:43:58.446-03:00</updated><title type='text'>Crimes de uma tradição inventada</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/S4bp60uQGgI/AAAAAAAAANA/aZYPWjrzbhM/s1600-h/cavalgada.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin: 5px 0px 3px;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/S4bp60uQGgI/AAAAAAAAANA/aZYPWjrzbhM/s320/cavalgada.jpg" width="440" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Fonte: www.clicrbs.com.br/rodadechimarrao – Foto: Antenor Tatsch Jr./ Especial ClicRBS&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;small class="credito"&gt;&amp;nbsp;&lt;/small&gt; &lt;br /&gt;Cerca de três mil pessoas percorrem a cavalo o litoral do Rio Grande do Sul, de 19 a 27 de fevereiro, na 26ª edição da Cavalgada do Mar. Homens e mulheres montam trajados com a indumentária "típica" dos gaúchos. Ao longo do caminho fazem acampamentos em que louvam as lides da "tradição campeira", enquanto aguardam as festas e shows-bailes que ocorrem à noite. A cavalgada conta com patrocínio do governo do estado e apoio da Assembleia Legislativa, secretarias estaduais da Cultura e do Turismo, Coordenadoria Estadual da Mulher, OAB/RS, Tribunal de Justiça do RS, MTG (Movimento Tradicionalista Gaúcho), entre outros. Diz o &lt;a href="http://focogaucho.com.br/index.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=156" target="_blank"&gt;fôlder&lt;/a&gt; promocional:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;A Cavalgada do Mar&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A primeira cavalgada foi realizada em 1984. Desde 1989, essa cavalgada vem sendo comandada por Vilmar Romera, tradicionalista e entusiasta do culto das nossas tradições campeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Culto à Tradição&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Por meio de cavalgadas e da prática de antigos costumes, podemos cultuar a tradição de nosso estado e introduzir os valores atrelados a este tipo de evento.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Então, pra quem não conhece muito bem qual é o esquema: trata-se de um bando de gente fantasiada de algo que nunca foi, tentando emular o comportamento de um sujeito típico que nunca existiu e honrando antigas tradições que só foram organizadas como tal há cerca de 60 anos. Durante o trajeto, os pobres cavalos sob o sol de fevereiro vão despejando &lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&amp;amp;uf=1&amp;amp;local=1&amp;amp;template=3948.dwt&amp;amp;section=Blogs&amp;amp;post=272105&amp;amp;blog=66&amp;amp;coldir=1&amp;amp;topo=3994.dwt" target="_blank"&gt;toneladas de cocô&lt;/a&gt; nas praias em que veranistas de sunga e biquíni (ou seja, gente normal) assistem à passagem bizarra do desfile temático. Imagino que a sensação do desafortunado que quer apenas gozar as suas férias deve ser a de um portal espaço-temporal se abrindo e materializando um pampa mítico logo ali, atrás do castelo de areia que as crianças tentavam construir. E não, a cena grotesca infelizmente não é fruto daquela dose a mais de caipirinha, nem do sol deste verão batendo recordes de UVA e UVB. Eles existem e vêm se reproduzindo. Se autoproclamam guardiões das tradições gaúchas, o que quer que isso signifique. A mídia os adora e valoriza, eles sempre têm espaço para repetir um discurso vago em que as palavras sagradas "orgulho", "façanha", "heroico" e "tradição" se repetem hipnoticamente, vazias de qualquer sentido. Se organizam em movimentos, centros, confederações. Se defendem das críticas de gente lúcida afirmando o caráter "cultural" e "democrático" das suas agremiações e ajuntamentos, embora fique sempre no ar a desconfiança de que não sabem o que significa nem uma coisa nem outra. São homofóbicos, sexistas e racistas, mas juram provar o contrário porque admitem homossexuais, mulheres e negros em seu círculo. Desde que devidamente amansados, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem. Já no início desta edição da cavalgada, dois cavalos morreram, provavelmente de exaustão. Há relatos de que número agora chega a seis. O GAE está organizando &lt;a href="http://www.gaepoa.org/site/campaigns/28-pelo-fim-da-cavalgada-do-mar" target="_blank"&gt;uma manifestação&lt;/a&gt; pedindo o fim da cavalgada que deve se realizar hoje, dia 26, às 17 horas, em frente ao Palácio Piratini. A manifestação foi &lt;a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&amp;amp;uf=1&amp;amp;local=1&amp;amp;template=3948.dwt&amp;amp;section=Blogs&amp;amp;post=271957&amp;amp;blog=66&amp;amp;coldir=1&amp;amp;topo=3951.dwt" target="_blank"&gt;noticiada&lt;/a&gt; pelo jornalista Giovani Grizotti no blog Roda de Chimarrão, que escreve para o jornal Zero Hora. No mesmo post:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;O comandante da Cavalgada do Mar, Vilmar Romera, afirma que há 12 anos não ocorria morte de cavalo na Cavalgada do Mar. Ele afirma que o evento não pode ser penalizado por atos isolados de alguns participantes. Romera compara o cavalo a um "atleta" que precisa de cuidados especiais antes de participar de uma competição:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Se tu não cuidar, ele morre de stress. Tem gente que não prepara o cavalo antes da Cavalgada, disse Romera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a manifestação dos ambientalistas, ele brinca:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas o que é isso, querem acabar com uma tradição! É o fim da picada! Vamos agora largar as cavalgadas de mão e dançar no balé de Bolschoi!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O jornalista podia primeiro aprender a escrever Bolshoi, depois podia parar de tentar disfarçar como brincadeira o pensamento do comandante, tão cristalino que nem precisa ser comentado. Como afirma o fôlder, a cavalgada – e o movimento tradicionalista no seu todo – diz respeito sobretudo à celebração de &lt;i&gt;valores&lt;/i&gt;. Aqui estamos muito longe de uma festa folclórica: este é um culto a uma figura que é tanto mítica quanto retrógrada. O gaúcho idealizado veste roupas do século XIX, é branco, heterossexual e sexista; doma cavalos, castra bezerros e tosquia ovelhas; come carne e bebe cachaça em quantidades épicas; é xenófobo e não conhece o diálogo, só um ensimesmamento do qual sai apenas para resolver suas diferenças na ponta da faca. Esse é o tipo constelado por eventos como a cavalgada, pairando como uma sombra a modelar os comportamentos daqueles que o veneram, com "orgulho de ser gaúcho". Essa gente tem apoio governamental, da mídia e de alguns setores da sociedade, pois a ideologia que representa serve, afinal, de um modo ou de outro, a vários senhores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gaúcho idealizado é honrado por muitos, mas sua figura em nada honra a vida democrática e culturalmente diversa desejada por outros tantos, e reais, gaúchos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-4850347563940325320?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/4850347563940325320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=4850347563940325320&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/4850347563940325320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/4850347563940325320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2010/02/crimes-de-uma-tradicao-inventada.html' title='Crimes de uma tradição inventada'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/S4bp60uQGgI/AAAAAAAAANA/aZYPWjrzbhM/s72-c/cavalgada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-7575996724742837663</id><published>2010-01-09T17:17:00.009-02:00</published><updated>2010-01-09T19:19:50.108-02:00</updated><title type='text'>Não à tortura, não ao silêncio</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/S0jUdMcTyqI/AAAAAAAAAMw/jFjCmJ24vQI/s1600-h/vlado.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-top: 1.2em; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/S0jUdMcTyqI/AAAAAAAAAMw/jFjCmJ24vQI/s320/vlado.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A &lt;a href="http://www.ajd.org.br/" target="_blank"&gt;Associação Juízes para a Democracia&lt;/a&gt; organiza um abaixo-assinado ao Supremo Tribunal Federal com um manifesto pela não aplicação da Lei de Anistia aos torturadores da ditadura militar de 1964-1985, conforme arguição da OAB, nos seguinte termos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eminentes Ministros do STF: está nas mãos dos senhores um julgamento de importância histórica para o futuro do Brasil como Estado Democrático de Direito, tendo em vista o julgamento da ADPF (Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental) nº 153, proposta em outubro de 2008 pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, que requer que a Corte Suprema interprete o artigo 1º da Lei da Anistia e declare que ela não se aplica aos crimes comuns praticados pelos agentes da repressão contra os seus opositores políticos, durante o regime militar, pois eles não cometeram crimes políticos e nem conexos.&lt;br /&gt;Tortura, assassinato e desaparecimento forçado são crimes de lesa-humanidade, portanto não podem ser objeto de anistia ou auto-anistia. [...]"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A violência deve ser reconhecida para ser repudiada onde quer que se manifeste, especialmente quando disfarçada pelo hábito cego, justificada pelo injustificável ou amparada pela vagueza da lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O abaixo-assinado já conta com mais de 11 mil assinaturas. Assine também, &lt;a href="http://www.ajd.org.br/contraanistia_port.php" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[ na ilustração do post, a cena do suposto "suicídio" do jornalista &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Vladimir_Herzog" target="_blank"&gt;Vladimir Herzog&lt;/a&gt;, torturado e assassinado pelo DOI-Codi em 1975. (foto: Agência Estado) ]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-7575996724742837663?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/7575996724742837663/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=7575996724742837663&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/7575996724742837663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/7575996724742837663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2010/01/nao-tortura-nao-ao-silencio.html' title='Não à tortura, não ao silêncio'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/S0jUdMcTyqI/AAAAAAAAAMw/jFjCmJ24vQI/s72-c/vlado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-4121034002095154288</id><published>2010-01-02T12:58:00.000-02:00</published><updated>2010-01-02T12:58:26.233-02:00</updated><title type='text'>Adeus, Orkut</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Sz9d66UmRcI/AAAAAAAAAMo/Y7FT68LIRRs/s1600-h/gaveta-d.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin: 5px 0px 15px;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Sz9d66UmRcI/AAAAAAAAAMo/Y7FT68LIRRs/s640/gaveta-d.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Encerrei minha conta no Orkut, um espaço no qual entrei com as minhas próprias perninhas e onde praticamente não fiz nada mais do que me atrapalhar com a sua utilização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em março de 2009 comecei a escrever uma postagem que pretendia, principalmente, dar um retorno a Mary Lys, que por causa do blog havia me convidado a participar de uma comunidade orkutiana para debater vegetarianismo/veganismo. Como em tudo mais com que travei contato no Orkut, não rolou. Mezzo pela minha incompatibilidade com o meio, mezzo pela dinâmica específica da comunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consegui dar por terminado o texto da postagem e ela ficou guardada como rascunho, o que sempre me deixou contrariado porque eu realmente queria dar uma satisfação pública ao convite recebido. Então, conta no Orkut encerrada e dentro do espírito de "limpar as gavetas" para o ano novo, resolvi publicar o rascunho exatamente como ele ficou. Falta uma finalização, e no fundo é isso mesmo: é o melhor retrato da minha dificuldade com esse assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, ao que importa: Mary Lys, obrigadíssimo, mas não consegui. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Debates vegetarianos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o nome da comunidade no Orkut para a qual fui gentilmente convidado pela Mary Lys, na época moderadora lá (atualmente é a dona da comunidade).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho uma dificuldade com o Orkut que já deveria ter resultado na eliminação do meu perfil há muito tempo: eu simplesmente não fico à vontade com o uso, deixo de checar recados, esqueço de entrar nas poucas comunidades em que estou inscrito... enfim, tem alguma coisa no formato que me afasta dele. Melhor seria apagar o perfil e ir fazer outra coisa, mas com uma pequena rede de amigos já estabelecida, acabo adiando a saída para mais adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí a Mary Lys me convidou e eu me inscrevi na Debates Vegetarianos. O nome anterior da comunidade era "Pérolas Carniceiras", e pelo que entendi era uma resposta a uma outra comunidade, chamada "Pérolas Vegetarianas/Vegan", que se descreve assim: "Pq os vegans tem mania de disseminar tanta besteira e informações falsas pela internet? Se for por falta de informação, essa comunidade vai ajudar a desvendar tanta besteira postada por aí."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O esforço para mudar o nome (a dona anterior da comunidade não estava muito inclinada a fazê-lo) era consequência de um esforço maior, o de qualificar o debate. Além da atuação da Mary há os moderadores, e basta dar uma olhada rápida pelos tópicos para comprovar que o pessoal realmente trabalha muito lá. Enfim, o pacote completo: boa-vontade, dedicação, disponibilidade, empenho, motivação correta. Tudo no lugar certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei a primeira vez, dei uma geral, saí. Entrei uma segunda vez, li mais coisas, os dedos começaram a coçar sobre o teclado, mas, antes de escrever, saí. E foi assim de novo, e depois de novo, e tem sido assim sempre. Tento, mas até agora não postei uma vírgula sequer. Amarelei total. Que coisa mais esquisita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há debatedores cativos por lá. E a esta altura já definidos com seus papéis e estilos de intervenção. O debate segue, mas de alguma maneira é como se não houvesse debate algum, e aqui me refiro especificamente às réplicas que os cativos fazem uns aos outros. A comunidade, no todo, é mais dinâmica do que as trocas entre esses veteranos, novas pessoas entram e se informam, tentam contribuir com um dado ou outro, normal. Mas é só você visitar um segundo tópico para encontrar de novo as mesmas quatro ou cinco pessoas, basicamente com os mesmos argumentos sendo repetidos. A moderação tem trabalho porque os ânimos com frequência se exaltam. Então dá uma sensação de circularidade: um assunto é proposto, aí replicado, depois vem a tréplica, os termos começam a ficar ásperos, os moderadores entram, a exaltação baixa e ficamos assim até que surja outro tópico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-4121034002095154288?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/4121034002095154288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=4121034002095154288&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/4121034002095154288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/4121034002095154288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2010/01/adeus-orkut.html' title='Adeus, Orkut'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Sz9d66UmRcI/AAAAAAAAAMo/Y7FT68LIRRs/s72-c/gaveta-d.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-6298826933755820132</id><published>2010-01-01T12:52:00.016-02:00</published><updated>2010-01-01T13:15:46.103-02:00</updated><title type='text'>2010</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Sz4LVaLvaUI/AAAAAAAAAMg/--tEgC4pWSU/s1600-h/porcos-reuters.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin: 5px 0px 15px;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Sz4LVaLvaUI/AAAAAAAAAMg/--tEgC4pWSU/s320/porcos-reuters.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz Ano Novo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que em 2010 possamos viver menos autocentrados e desenvolver mais consciência, mais sentido de responsabilidade e, sobretudo, mais compaixão. Por todos os seres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[ sobre a ilustração: porcos são lembrados para a ceia de Ano Novo porque "fuçam para frente". Me permito acrescentar: especialmente se estiverem vivos e livres. (Imagem: Reuters) ]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-6298826933755820132?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/6298826933755820132/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=6298826933755820132&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/6298826933755820132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/6298826933755820132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2010/01/2010.html' title='2010'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Sz4LVaLvaUI/AAAAAAAAAMg/--tEgC4pWSU/s72-c/porcos-reuters.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-6448192407739739835</id><published>2009-12-19T22:15:00.002-02:00</published><updated>2009-12-19T22:53:34.756-02:00</updated><title type='text'>Revendo números</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Sy1rN9_GnvI/AAAAAAAAAMU/sql8xsndUWU/s1600-h/800px-The_Great_Wave_off_Kanagawa.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417103814518284018" src="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Sy1rN9_GnvI/AAAAAAAAAMU/sql8xsndUWU/s400/800px-The_Great_Wave_off_Kanagawa.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 304px; margin: 5px 0px 15px; text-align: center; width: 440px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Matéria na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Folha Online&lt;/span&gt; relata que um estudo do World Watch Institute sobre o impacto da pecuária no aquecimento global coloca os números do estudo anterior da FAO sobre o mesmo tema como "extremamente subestimados". Segundo seus autores, Robert Goodland e Jeff Anhang, todo o aparato relacionado à criação e consumo de animais e derivados na alimentação humana é responsável por nada menos que 51% das emissões de gases de efeito estufa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A solução apontada pelo estudo para reverter essa situação é a substituição dos alimentos de origem animal pelos de origem vegetal. Aplicar métodos alternativos na criação de animais e produção de seus derivados não teria efeitos significativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hmm... alguém falou a palavra "veganismo" aí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, veganismo pressupõe o entendimento da vida animal como merecedora da mesma consideração ética que temos (que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;devemos&lt;/span&gt; ter) pela vida humana. Portanto, ainda que os recursos do planeta fossem inesgotáveis (como parecem crer todos os que almejam uma curva sempre ascendente de crescimento econômico), ainda que os pastos fossem infinitos, ainda que o metano expelido pelos animais de criação não impactasse em nada o equilíbrio climático da Terra, ainda assim deveríamos nos tornar veganos. Devemos caminhar nesse sentido, por ética, por coerência, por compreensão, por obrigação: sermos a espécie mais poderosa implica responsabilidades que vão além do nosso bem-estar imediato. De qualquer maneira, ainda que pela via transversa da tentativa de salvarmos apenas nosso querido pescocinho, um mundo sem alimentação ou consumo de produtos de origem animal não só acaba salvando algumas vítimas do confinamento e do abatedouro, mas preserva um meio ambiente cuja integralidade é de interesse de todas as espécies.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, que sejam bem-vindos os vegetarianos ou veganos de última hora. Só não esqueçamos, uma vez garantido o abandono do bife, de lembrá-los de que ao passarmos por este planeta podemos, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;devemos&lt;/span&gt;, pensar mais além do próprio pescoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: essa situação me lembra os outros números relativos ao aquecimento global, que acabam sendo substituídos por números piores sempre antes do previsto. Algo me diz que quando chegarem os números corretos a água já vai estar batendo na bunda. Mas isso é porque eu sou otimista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS 2: é, estou um pouco amargo com o fracasso de Copenhague.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[ na ilustração, "A Grande Onda de Kanagawa", xilogravura de Katsushika Hokusai (entre 1829-1832); a matéria da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Folha Online&lt;/span&gt; sobre o assunto você pode ver &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ambiente/ult10007u668077.shtml" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;; o pdf com o estudo do World Watch Institute você vê &lt;a href="http://www.worldwatch.org/files/pdf/Livestock%20and%20Climate%20Change.pdf" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;; o da FAO já foi assunto de post anterior, &lt;a href="http://vedevegano.blogspot.com/2007/09/aulinha-de-matemtica-e-de.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; ]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-6448192407739739835?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/6448192407739739835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=6448192407739739835&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/6448192407739739835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/6448192407739739835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2009/12/revendo-numeros.html' title='Revendo números'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Sy1rN9_GnvI/AAAAAAAAAMU/sql8xsndUWU/s72-c/800px-The_Great_Wave_off_Kanagawa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-7980425577560912439</id><published>2009-12-18T11:36:00.007-02:00</published><updated>2009-12-18T11:54:44.401-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.abolitionistapproach.com/" target="_blank"&gt;&lt;img style="margin: 10pt 15px 10px 0pt; display: block; float: left; cursor:pointer; cursor:hand;width: 440px; height: 121px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SyuJNRiO7RI/AAAAAAAAAMM/YCB_uLlCFx0/s400/wiv_bumper_440x121.png" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5416573837981445394" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: &lt;a href="http://www.jcolv.com/world_is_vegan" target="_blank"&gt;http://www.jcolv.com/world_is_vegan&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-7980425577560912439?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/7980425577560912439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=7980425577560912439&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/7980425577560912439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/7980425577560912439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2009/12/fonte-httpwww.html' title=''/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SyuJNRiO7RI/AAAAAAAAAMM/YCB_uLlCFx0/s72-c/wiv_bumper_440x121.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-714990938066881184</id><published>2009-07-14T12:48:00.020-03:00</published><updated>2009-07-15T19:53:42.739-03:00</updated><title type='text'>Os incríveis</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SlzMBUIxm2I/AAAAAAAAAL0/hKgQtIcFCmw/s1600-h/materia-jn.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 5px 0px 15px; display: block; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SlzMBUIxm2I/AAAAAAAAAL0/hKgQtIcFCmw/s400/materia-jn.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358381979621497698" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Matéria do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jornal Nacional&lt;/span&gt; de ontem celebra o experimento, feito por cientistas americanos, de implante de um chip no cérebro de macacos que conseguiram mover um braço robótico "com a força do pensamento".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja &lt;a href="http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1228670-10406,00-MACACOS+USAM+FORCA+DA+MENTE+PARA+MOVER+OBJETOS.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt; a reportagem, cujo tom empolgado com o incrível avanço científico acompanhou a cena compartilhada por milhões de espectadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O macaco está imobilizado, sedento, confinado num ambiente artificial, condenado a estar vivo para viver uma vida que não lhe pertence. O macaco é capaz de pensar, e exatamente por essa razão é escolhido e forçado a uma experiência que pouco se importa com o que ele pensa disso. O turbante improvisado que lhe colocaram, para esconder o crânio  aberto dos estômagos mais sensíveis,  é a cereja do bolo da cena horrorosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então celebramos, pois somos incríveis. Somos realmente incríveis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-714990938066881184?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/714990938066881184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=714990938066881184&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/714990938066881184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/714990938066881184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2009/07/os-incriveis.html' title='Os incríveis'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SlzMBUIxm2I/AAAAAAAAAL0/hKgQtIcFCmw/s72-c/materia-jn.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-6786081206507829972</id><published>2009-02-01T21:20:00.005-02:00</published><updated>2009-02-02T02:55:26.884-02:00</updated><title type='text'>Da natureza não natural</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SYYhK6QyGjI/AAAAAAAAALs/3H9yuN5eIj0/s1600-h/garfoefaca.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 5pt 10pt 5pt 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 240px; height: 171px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SYYhK6QyGjI/AAAAAAAAALs/3H9yuN5eIj0/s400/garfoefaca.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5297958482970024498" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Já comentei num &lt;a href="http://vedevegano.blogspot.com/2007/10/palavras-de-centauro.html"&gt;post anterior&lt;/a&gt; a respeito das considerações de Pasolini sobre Jasão, no seu filme &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Medeia&lt;/span&gt;, em que o cineasta salienta a trajetória do personagem como a passagem da percepção mágica da natureza (e do mundo) para uma abordagem pragmática. Uma trajetória que é a da mentalidade ocidental. A civilização mesma como processo de afastamento do mágico, e isso é um pouco mais do que a simples tentativa de racionalização do mágico. Nossa história civilizatória tem sido a da alienação dos aspectos sagrados, inalcançáveis e autodeterminados daquilo que, quanto mais alienado, mais passa a parecer como realidade externa e independente, a Natureza em si. Se foi pela cultura que atribuímos magia à realidade, foi também pela cultura que acabamos atribuindo naturalidade à natureza, e de tal maneira que esta passou a ser considerada a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tabula rasa&lt;/span&gt;, um mero cenário a partir do qual e sobre o qual atuar, um ajuntamento de dados factuais que constituem a realidade física.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia de um "estado natural" de qualidades neutras, preexistente e pré-cultural, sobre o qual podemos construir nosso pensamento é, de saída, um equívoco. Fora da cultura, a natureza é continuidade, e não recorte observável, nem cenário possível. Dentro da cultura, toda natureza será necessariamente concebida sob limitações culturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É incrível que a evocação de uma natureza anterior a toda cultura às vezes seja justamente a arma escolhida para defender expressões da própria cultura. Assim, é lugar-comum, por exemplo, você ouvir argumentos científicos que buscam provar que o homem é naturalmente onívoro (querendo mesmo defender que é carnívoro). E também outros tantos tentando provar o contrário. Aí temos o quadro engraçadíssimo do sujeito que estufa o peito cheio de razão e se prepara para traçar sua picanha, repare bem, uma vez que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;afirma culturalmente&lt;/span&gt; que não &lt;span style="font-style: italic;"&gt;come culturalmente&lt;/span&gt;, apenas segue a natureza. Para ele, obter nutrientes da carne de vaca é uma bem-vinda condenação biológica. Exibe, convencido, seus caninos como a prova irrefutável disso. A natureza, é claro, não o manda comer ninguém da sua espécie, ou cachorros, ou cobras, ou porquinhos-da-índia. A natureza deixou essa parte para selvagens canibais perdidos nas brumas do tempo e alguns povos exóticos do Oriente ou dos Andes. Numa diferenciação que há de ser evolutiva, valha-nos Darwin, a natureza — e só ela, estamos acertados — adaptou nosso picanheiro a alimentar-se em churrascarias-rodízio. Pretendendo-se alheio a qualquer cultura nessa hora de pulsão alvoroçada de seus genes, ele pergunta, por puro instinto, ao garçom: "Tem javali?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pena que nosso amigo esqueceu-se de lembrar que caninos não são necessários quando se come carne de garfo e faca. No seu oposto, talvez encontremos uma gentil criatura vociferando que não podemos em absoluto comer nenhuma carne por causa do comprimento dos nossos intestinos. Sejamos justos: eis aqui um argumento de peso equivalente ao canino de qualquer um. Mas, cá entre nós, acho mesmo que, noves fora, nesse caso os talheres são evidência antropológica do que somos e como agimos muito mais importante do que a conformação dos nossos dentes ou intestinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[ na ilustração, garfo e faca da &lt;a href="http://www.tramontina.com.br/www/product/product.aspx?language=0&amp;amp;cat_id=241&amp;amp;cat2=3&amp;amp;cat3=73&amp;amp;cat4=649"&gt;Tramontina&lt;/a&gt;, linha "Churrasco – Tradicional", mas que, tenho certeza, você pode usar para comer qualquer outro tipo de coisa, naturalmente ]&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-6786081206507829972?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/6786081206507829972/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=6786081206507829972&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/6786081206507829972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/6786081206507829972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2009/02/da-natureza-nao-natural.html' title='Da natureza não natural'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SYYhK6QyGjI/AAAAAAAAALs/3H9yuN5eIj0/s72-c/garfoefaca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-1651236001809692926</id><published>2009-01-18T11:48:00.004-02:00</published><updated>2009-10-29T11:22:54.238-02:00</updated><title type='text'>Um herói contemporâneo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SXKtsVYVjeI/AAAAAAAAALk/AZj9C3nxfJ8/s1600-h/cher.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 5pt 10pt 5pt 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 205px; height: 288px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SXKtsVYVjeI/AAAAAAAAALk/AZj9C3nxfJ8/s400/cher.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5292483489278823906" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Assisti incrédulo à  &lt;a href="http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM949173-7823-PILOTO+IMPEDE+TRAGEDIA+AEREA+EM+NOVA+YORK,00.html" target="_blank"&gt;matéria&lt;/a&gt; do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jornal da Globo&lt;/span&gt; do último dia 15 sobre o pouso de emergência do airbus da US Airways no rio Hudson, em Nova Iorque. Siga o link e confira o vídeo: são exatos 6 min 42 s, dos quais os últimos 2 min e quase 20 s são dedicados integralmente a destacar o heroísmo do piloto. Esse tempo foi recheado dos seguintes termos: "competência", "habilidade do profissional", "currículo", "homem ideal", "performance", "alta performance", "empresa", "empreendorismo", entre outros. "Heroico" e "herói" aparecem quatro vezes ao longo da matéria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme os minutos passavam e o assunto não saía do lugar, fui me sentindo mais e mais deslocado daquilo tudo, da abordagem, da excitação com o fato, do vocabulário utilizado. Com a menção a "currículo" percebi que havia algo realmente fora do tom. William Waack conversava com o correspondente Rodrigo Alvarez e ambos diziam ter &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;consultado o currículo&lt;/span&gt; do piloto. Dezenove mil horas de voo. Foi piloto de caças. Foi presidente da Associação dos Pilotos de Linhas Aéreas (ohhhhhhh...). Tem uma empresa especializada em segurança aérea. Enfim, o homem certo na situação certa. E então veio o comentário de que a empresa do piloto, com sede na Califórnia, terra do "empreendorismo", agora iria certamente "bombar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a busca da raiz do alegado heroísmo do sujeito no seu currículo já parecera estranha o suficiente, a previsão de sucesso empresarial como decorrência do pouso bem-sucedido coroou de vez o que percebi como uma bizarra manobra: as qualidades do herói foram deslocadas da esfera da moral para a da performance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora me diz: o que a palavra "herói" evoca em você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui cá comigo, as primeiras associações são: "coragem", "risco" e, sobretudo, "sacrifício". Mestre Houaiss me ajuda, acrescentando "tenacidade", "abnegação", "magnanimidade" e "indivíduo [...] que arrisca a vida em benefício de outrem". E, por último, "indivíduo [...] notabilizado por suas realizações/que desperta enorme admiração; ídolo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que não erro e mesmo faço apenas chover no molhado ao entender a sociedade estadunidense como mais idólatra que a brasileira. O elogio permanente ao indivíduo "que faz" é uma característica bastante evidente por lá, então a associação entre "ídolo" e "herói" é pelo menos previsível em se tratando dos Estados Unidos. E tem também o impacto emocional daquilo que acontece no quintal da sua casa, colorindo adjetivos e mobilizando admirações. Quero dizer que não me espantaria se em vez do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jornal da Globo&lt;/span&gt; estivesse assistindo à CNN. Só para comparar, olha o que diz, por exemplo, o &lt;a style="font-style: italic;" href="http://www.lemonde.fr/ameriques/article/2009/01/16/un-airbus-s-abime-dans-l-eau-pres-de-manhattan-les-passagers-sauves_1142635_3222.html" target="_blank"&gt;Le Monde&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A foto do piloto, Chesley Sullenberger, de 57 anos, foi divulgada repetidamente nas redes de televisão americanas, e o prefeito de Nova Iorque louvou seu heroísmo e seu profissionalismo. [...] O presidente americano George W. Bush por sua vez louvou 'a habilidade e o heroísmo da tripulação'. Segundo o &lt;a style="font-style: italic;" href="http://www.nydailynews.com/news/2009/01/15/2009-01-15_us_airways_airplane_crashes_in_hudson_ri.html" target="_blank"&gt;New York Daily News&lt;/a&gt;, que deu a manchete 'Os heróis do Hudson' no seu site, o homem é um veterano da Força Aérea americana."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, o jornal reporta a atribuição de heroísmo pela população local, mas não fica endossando essa atribuição. O que me parece muitíssimo mais adequado do que a longa matéria do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jornal da Globo&lt;/span&gt;, que nada mais fez a não ser ecoar sem qualquer filtragem a mídia estadunidense, como se o pouso de emergência tivesse ocorrido no Tietê, com Lili Marinho a bordo...  Acompanhei com atenção o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jornal Hoje&lt;/span&gt;, da mesma Globo, do dia seguinte só pra confirmar idêntica postura editorial. Com nenhum morto e quatro atendimentos hospitalares somente por hipotermia e não pelo pouso em si, foi o "heroísmo competente" do piloto que pautou as &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;duas&lt;/span&gt; matérias (&lt;a href="http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM949437-7823-PILOTO+AMERICANO+SALVA+VIDAS+A+BORDO+DO+AIRBUS+A,00.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM949452-7823-VEJA+PORQUE+O+POUSO+DE+EMERGENCIA+FOI+FEITO+NA+AGUA,00.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;), novamente ultrapassando, juntas, os 6 min. Se é assim com a principal rede de televisão do país, tenho certeza que esse episódio vai virar um "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;case&lt;/span&gt; de sucesso" nas palestras motivacionais sobre administração e gerenciamento por aí. Alguém tem uma máscara de oxigênio extra, por favor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo estar velho, mais chato e ranzinza do que de costume, mas um piloto altamente treinado em situações de emergência que acaba por colocar em prática todo o seu treinamento não me faz levantar as sobrancelhas. O cara foi craque, foi fera, foi braço, sim. É o primeiro pouso de emergência na água em 50 anos sem nenhuma vítima. Que bom que o treinamento, que a especialização do piloto pôde dar conta da situação de alto risco e salvar 155 vidas. Técnica apurada, perícia, sangue frio. Uhu.  Mas sou do tempo em que alta performance e currículo adequado não eram os ingredientes básicos daquilo que reconhecemos como heroísmo, então só consigo achar tudo isso muito fora de lugar. Deslocam-se as qualidades do herói, desloco-me para um estado em suspensão, assistindo a tudo sem conseguir acreditar que é essa a língua que está sendo falada. Ando também mais sensível, pois a situação em Gaza é o cenário dos últimos tempos do qual não consigo me afastar, e a partir de onde olho para as coisas cotidianas e só me sobra o espanto ao assistir a bizarrices como as do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jornal da Globo&lt;/span&gt;. Que, por sinal, nessa mesma edição dedicou 3 min 1 s à &lt;a href="http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM949188-7823-TROPAS+ISRAELENSES+BOMBARDEIAM+PREDIO+DA+ONU+NA+FAIXA+DE+GAZA,00.html" target="_blank"&gt;matéria&lt;/a&gt; que cobriu o bombardeio israelense às instalações da ONU, de um hospital e dos locais onde trabalhava a imprensa em Gaza. Menos da metade do tempo utilizado para cobrir o pouso forçado no Hudson. E de um jornalismo tão vagabundo que esses 3 min não valem 10 s de informação consistente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[ a imagem é a estampa da camiseta "&lt;a href="http://skreened.com/insideout/cher-shirt" target="_blank"&gt;Cher Guevara&lt;/a&gt;"; só pra constar: apesar de velho, chato e ranzinza, eu morri de rir outro dia quando topei  por acaso com ela na Internet ]&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-1651236001809692926?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/1651236001809692926/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=1651236001809692926&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/1651236001809692926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/1651236001809692926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2009/01/um-heri-contemporneo.html' title='Um herói contemporâneo'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SXKtsVYVjeI/AAAAAAAAALk/AZj9C3nxfJ8/s72-c/cher.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-7227824550878845020</id><published>2009-01-12T10:03:00.013-02:00</published><updated>2009-01-15T10:00:24.836-02:00</updated><title type='text'>Boicote a Israel</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SWs6f7t_PVI/AAAAAAAAALc/y2CSFRjf75I/s1600-h/israel-barcode.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 5pt 10pt 5pt 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 240px; height: 128px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SWs6f7t_PVI/AAAAAAAAALc/y2CSFRjf75I/s400/israel-barcode.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5290386507557715282" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Vários blogs já repercutiram o &lt;a href="http://www.thenation.com/doc/20090126/klein?rel=hp_currently" target="_blank"&gt;artigo&lt;/a&gt; de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Naomi_klein" target="_blank"&gt;Naomi Klein&lt;/a&gt; no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Nation&lt;/span&gt;, publicado no último dia 7, em que ela defende a ideia de boicote aos produtos israelenses como forma de pressão mundial contra os crimes do Estado de Israel. Ali fiquei sabendo da existência do &lt;a href="http://www.bdsmovement.net/" target="_blank"&gt;Global BDS Movement – Boycott, Divestment and Sanctions for Palestine&lt;/a&gt;, movimento que desde 2005 congrega várias organizações palestinas na divulgação e defesa de ações de boicote, desinvestimento e sanções contra Israel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naomi Klein afirma que Israel precisa tornar-se um alvo da repreensão mundial, a exemplo do que aconteceu com a África do Sul dos tempos do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;apartheid&lt;/span&gt;, e não imagino melhor colocação do que essa no que diz respeito à condenação moral que desejamos expressar como indivíduos que compartilham a mesma indignação. Condenações legais efetivas, via ONU – Corte Internacional de Justiça, parecem ainda um desejo protelado para o dia em que o arranjo de forças mundiais esteja completamente redesenhado. Enquanto isso, podemos nos juntar aos que já estão em plena campanha, boicotando produtos (comerciais, culturais, etc.) israelenses e divulgando essa ideia. Um exemplo tocante vem "de dentro": Klein cita a &lt;a href="http://www.freegaza.org/en/home/658-a-call-from-within-signed-by-israeli-citizens" target="_blank"&gt;carta&lt;/a&gt; assinada por cerca de 500 cidadãos israelenses judeus (entre os quais dúzias de artistas e acadêmicos conhecidos) e destinada aos embaixadores estrangeiros em Israel, que pede ao mundo que adote imediatamente medidas restritivas e sanções, explicitamente fazendo um paralelo com a luta pelo fim do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;apartheid&lt;/span&gt; sul-africano. Quanto ao boicote comercial, não sei exatamente quais produtos chegam às lojas brasileiras, mas um dado importante é o seguinte: para driblar o boicote, algumas empresas não colocam o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;made in Israel&lt;/span&gt; no que produzem. Um drible que pode ser desarmado, pois todo código de barras inicia pela identificação do país de origem através dos três primeiros algarismos. O código de Israel é 729.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os veganos estamos tão acostumados a debulhar informações nos rótulos que prestar atenção a mais esse detalhe é moleza. É bom também que você avise ao comerciante que está desistindo do produto tal por causa da origem israelense. Então anote: 729, e passe a informação adiante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-7227824550878845020?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/7227824550878845020/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=7227824550878845020&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/7227824550878845020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/7227824550878845020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2009/01/boicote-israel.html' title='Boicote a Israel'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SWs6f7t_PVI/AAAAAAAAALc/y2CSFRjf75I/s72-c/israel-barcode.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-6661029041126571969</id><published>2009-01-11T15:20:00.005-02:00</published><updated>2009-01-12T11:09:38.816-02:00</updated><title type='text'>As blindagens</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SWoGGbFS07I/AAAAAAAAALM/LegJpI8-J1U/s1600-h/birkenau.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 5pt 10pt 5pt 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 270px; height: 202px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SWoGGbFS07I/AAAAAAAAALM/LegJpI8-J1U/s400/birkenau.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5290047419719013298" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Li no &lt;a href="http://www.rsurgente.net/" target="_blank"&gt;RS Urgente&lt;/a&gt; sobre o excelente &lt;a href="http://www.independent.co.uk/opinion/commentators/fisk/robert-fiskrsquos-world-wherever-i-go-i-hear-the-same-tired-middle-east-comparisons-1297595.html" target="_blank"&gt;artigo&lt;/a&gt; escrito pelo jornalista inglês Robert Fisk para o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Independent&lt;/span&gt;, que depois descobri, pelo &lt;a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/01/robert_fisk_desmascara_mentiras_da_ocupacao_amalgama_traduz.php" target="_blank"&gt;O Biscoito Fino e a Massa&lt;/a&gt;, estar traduzido no blog &lt;a href="http://www.amalgama.blog.br/01/2009/por-onde-ando-sempre-as-mesmas-velhas-ideias-sobre-o-oriente-medio/" target="_blank"&gt;Amálgama&lt;/a&gt;. Recomendo a leitura: Fisk fala das comparações utilizadas como argumento pró-Israel, recorrentes pelo mundo afora e caracteristicamente estúpidas e parciais (do tipo imagine-se como israelense sob foguetes Qassam, mas não ouse imaginar-se como palestino sob o pesado bombardeio de Israel), e termina o texto narrando um debate do qual participou em que o oposto disso, a recusa da possibilidade de comparação, toma as vezes de argumento. Reproduzo abaixo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Meu momento preferido aconteceu quando eu disse que jornalistas têm de ter lado, e que o lado dos jornalistas têm de ser o lado dos que mais sofrem. Se me mandassem cobrir o tráfico de escravos no século 18, eu jamais daria destaque, no que escrevesse, à opinião do capitão do navio mercador de escravos. Se me mandassem cobrir a libertação num campo de concentração nazista, eu não entrevistaria o porta-voz da SS. Nesse ponto, um jornalista do &lt;em&gt;Jewish Telegraph&lt;/em&gt; em Praga 'argumentou' que 'o exército israelense não é Hitler'. Claro que não. Eu não disse que é."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atuação historicamente criminosa do Estado de Israel sobre a população palestina suscita merecidamente várias comparações, da África do Sul do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;apartheid&lt;/span&gt; à Alemanha nazista, ainda que Gaza não seja nem Soweto nem o Gueto de Varsóvia. O sofrimento aparece onde surge a agressão, a opressão, a dor, a morte. A constatação da existência do sofrimento deve ser buscada na vítima, e nunca na intenção ou no discurso do agressor. Ou no seu uniforme, na língua que fala, na religião que professa, na sua circunstância histórica. Responder à denúncia da violência através da lógica do agressor é só dar continuidade à agressão cometida. Os partidários da política de ocupação e extermínio do Estado de Israel tratam de desqualificar qualquer comparação com outros agressores históricos pela blindagem dos fatos dentro da sua lógica "nós somos – sempre – apenas as vítimas". Por acaso Barak e Ohlmert são nazistas? Evidente que não: logo, não há lugar para as bombas de fósforo branco se não na categoria "autodefesa". Qualquer outra consideração está de saída condenada a ser ofensiva e vergonhosa prova de antissemitismo. E jamais são trazidos à cena, como se nunca houvessem existido, os cidadãos israelenses judeus que são &lt;span style="font-style: italic;"&gt;contra&lt;/span&gt; a ação do seu governo (essa brava e tão admirável gente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comparações podem e devem ser feitas e esmiuçadas, sem parcialidade e sem blindagem, até que se esgotem por inapropriadas ou se revelem pontos de apoio consistentes para que compreendamos o que ainda não foi compreendido. Mal comparar ou não permitir comparar são as duas faces da mesma moeda de negação dos fatos, que o artigo de Fisk tão bem elucida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SWopDgK8GoI/AAAAAAAAALU/ellunugv_KY/s1600-h/aviario.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 5pt 10pt 5pt 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 270px; height: 202px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SWopDgK8GoI/AAAAAAAAALU/ellunugv_KY/s400/aviario.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5290085852452231810" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Não há como olhar para qualquer desses massacres deliberados, friamente arquitetados, sem fazer uma comparação com o holocausto diário que os humanos inflingimos aos animais. Olho para Gaza e lembro dos aviários, dos abatedouros, das fazendas de pele, do confinamento das linhas de produção da indústria de exploração animal. Aqui só se ofende com a comparação quem estabelece a diferença entre espécies como a blindagem adequada para escapar dessa discussão. É uma blindagem de fato eficaz, basta olharmos para os números do contador que o blog mantém logo ali acima à esquerda. Eficaz, mas nem por isso livre de buracos de incoerência e inconsistência lógica. Sem hesitação dizemos que os habitantes de Gaza estão "enjaulados como animais", numa comparação óbvia e inquestionável, mas não nos permitimos entender que por sua vez os animais enjaulados sofrem, no mínimo, como sofre hoje a população de Gaza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, os palestinos de Gaza não são iguais a animais. Mas eu não disse que são.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[ a primeira foto mostra os "alojamentos" no campo nazista de Birkenau; a segunda mostra um aviário. ]&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-6661029041126571969?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/6661029041126571969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=6661029041126571969&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/6661029041126571969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/6661029041126571969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2009/01/as-blindagens.html' title='As blindagens'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SWoGGbFS07I/AAAAAAAAALM/LegJpI8-J1U/s72-c/birkenau.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-7659972773211443764</id><published>2009-01-09T09:32:00.006-02:00</published><updated>2009-01-09T12:47:59.738-02:00</updated><title type='text'>Todos ao Biscoito!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SWdBHouTuSI/AAAAAAAAALE/OnHEqt__51w/s1600-h/gaza.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 5pt 10pt 5pt 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 240px; height: 161px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SWdBHouTuSI/AAAAAAAAALE/OnHEqt__51w/s400/gaza.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5289267886816475426" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Já disse aqui que &lt;a href="http://www.idelberavelar.com/" target="_blank"&gt;O Biscoito Fino e a Massa&lt;/a&gt; é o meu blog favorito, e volto a falar dele para recomendá-lo ainda mais nestes dias terríveis em que a criminalidade do Estado de Israel nos desafia a encontrar as palavras certas para o aparentemente inominável. Mas todo crime tem nome, sim, e Idelber Avelar está fazendo um trabalho extraordinário de opinião, informação e compilação sobre os horrores por que passa a população palestina, fundamental para que atravessemos a barreira espessa criada e mantida, mais ou menos intencionalmente, pela grande imprensa em sua quase totalidade.&lt;br /&gt;A Internet mostra o que tem de melhor em momentos assim, e o Biscoito entra em ação de maneira irretocavelmente admirável. Muitíssimo obrigado, Idelber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[ O Biscoito Fino e a Massa está concorrendo a melhor blog de política no Best Blogs Brazil 2008, e você pode votar &lt;a href="http://www.bestblogsbrazil.com/2008/node/44" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Eu já votei. (Foto: Gaza, REUTERS/Yannis Behrakis) ]&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-7659972773211443764?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/7659972773211443764/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=7659972773211443764&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/7659972773211443764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/7659972773211443764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2009/01/todos-ao-biscoito.html' title='Todos ao Biscoito!'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SWdBHouTuSI/AAAAAAAAALE/OnHEqt__51w/s72-c/gaza.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-295578848484067534</id><published>2008-12-30T10:42:00.018-02:00</published><updated>2009-01-09T12:10:17.810-02:00</updated><title type='text'>Para um feliz ano novo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SVomRshydvI/AAAAAAAAAK8/frwwxp-ew2c/s1600-h/israel-palestina.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 5px 0px 15px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 440px; height: 294px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SVomRshydvI/AAAAAAAAAK8/frwwxp-ew2c/s400/israel-palestina.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5285579198125209330" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A imagem acima foi retirada de um &lt;a href="http://diariogauche.blogspot.com/2008/12/genoccio-israelense-em-gaza.html" target="_blank"&gt;post&lt;/a&gt; do blog &lt;a href="http://diariogauche.blogspot.com" target="_blank"&gt;Diário Gauche&lt;/a&gt; (clique para visualizar melhor). Segue abaixo, na íntegra, um &lt;a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2008/12/carta_aberta_de_uri_avnery_a_barack_obama.php" target="_blank"&gt;post&lt;/a&gt; do blog &lt;a href="http://www.idelberavelar.com/" target="_blank"&gt;O Biscoito Fino e a Massa&lt;/a&gt; que reproduz as palavras mais bonitas, lúcidas e &lt;s&gt;ponderadas&lt;/s&gt; justas* que já vi sobre a questão Israel-Palestina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um 2009 mais lúcido, e mais bonito, para todos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:120;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Carta aberta de Uri Avnery a Barack Obama&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SVoZQBK15WI/AAAAAAAAAK0/2wAo5s-roxw/s1600-h/avnery-arafat.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 260px; height: 235px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SVoZQBK15WI/AAAAAAAAAK0/2wAo5s-roxw/s400/avnery-arafat.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5285564875655210338" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;As humildes sugestões que se seguem são baseadas nos meus 70 anos de experiência como combatente de trincheiras, soldado das forças especiais na guerra de 1948, editor-em-chefe de uma revista de notícias, membro do parlamento israelense e um dos fundadores do movimento pela paz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) No que se refere à paz israelense-árabe, o Sr. deve agir a partir do primeiro dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) As eleições em Israel acontecerão em fevereiro de 2009. O Sr. pode ter um impacto indireto, mas importante e construtivo já no começo, anunciando sua determinação inequívoca de conseguir paz israelo-palestina, israelo-síria e israelo-pan-árabe em 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) Infelizmente, todos os seus predecessores desde 1967 jogaram duplamente. Apesar de que falaram sobre paz da boca para fora, e às vezes realizaram gestos de algum esforço pela paz, na prática eles apoiavam nosso governo em seu movimento contrário a esse esforço.&lt;br /&gt;Particularmente, deram aprovação tácita à construção e ao crescimento dos assentamentos colonizadores de Israel nos territórios ocupados da Palestina e da Síria, cada um dos quais é uma mina subterrânea na estrada da paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) Todos os assentamentos colonizadores são ilegais segundo a lei internacional. A distinção, às vezes feita, entre postos “ilegais” e os outros assentamentos colonizadores é pura propaganda feita para mascarar essa simples verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) Todos os assentamentos colonizadores desde 1967 foram construídos com o objetivo expresso de tornar um estado palestino – e portanto a paz – impossível, ao picotar em faixas o possível projetado Estado Palestino. Praticamente todos os departamentos de governo e o exército têm ajudado, aberta ou secretamente, a construir, consolidar e aumentar os assentamentos, como confirma o relatório preparado para o governo pela advogada Talia Sasson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6) A estas alturas, o número de colonos na Cisjordânia já chegou a uns 250.000 (além dos 200.000 colonos da Grande Jerusalém, cujo estatuto é um pouco diferente). Eles estão politicamente isolados e são às vezes detestados pela maioria do público israelense, mas desfrutam de apoio significativo nos ministérios de governo e no exército.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7) Nenhum governo israelense ousaria confrontar a força material e política concentrada dos colonos. Esse confronto exigiria uma liderança muito forte e o apoio generoso do Presidente dos Estados Unidos para que tivesse qualquer chance de sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8) Na ausência de tudo isso, todas as “negociações de paz” são uma farsa. O governo israelense e seus apoiadores nos Estados Unidos já fizeram tudo o que é possível para impedir que as negociações com os palestinos ou com os sírios cheguem a qualquer conclusão, por causa do medo de enfrentar os colonos e seus apoiadores. As atuais negociações de “Annapolis” são tão vazias como as precedentes, com cada lado mantendo o fingimento por interesses politicos próprios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9) A administração Clinton, e ainda mais a administração Bush, permitiram que o governo israelense mantivesse o fingimento. É, portanto, imperativo que se impeça que os membros dessas administrações desviem a política que terá o Sr. para o Oriente Médio na direção dos velhos canais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10) É importante que o Sr. comece de novo e diga-o publicamente. Idéias desacreditadas e iniciativas falidas – como a “visão” de Bush, o “mapa do caminho”, Anápolis e coisas do tipo – devem ser lançadas à lata de lixo da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11) Para começar de novo, o alvo da política americana deve ser dito clara e sucintamente: atingir uma paz baseada numa solução biestatal dentro de um prazo de tempo (digamos, o fim de 2009).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12) Deve-se assinalar que este objetivo se baseia numa reavaliação do interesse nacional americano, de remover o veneno das relações muçulmano-americanas e árabe-americanas, fortalecer os regimes dedicados à paz, derrotar o terrorismo da Al-Qaeda, terminar as guerras do Iraque e do Afeganistão e atingir uma acomodação viável com o Irã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13) Os termos da paz israelo-palestina são claros. Já foram cristalizados em milhares de horas de negociações, colóquios, encontros e conversas. São eles:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;a) &lt;/strong&gt;estabelecer-se-á um Estado da Palestina soberano e viável lado a lado com o Estado de Israel.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;b) &lt;/strong&gt;A fronteira entre os dois estados se baseará na linha de armistício de 1967 (a “Linha verde”). Alterações não substanciais poderão ser feitas por concordância mútua numa troca de territórios em base 1: 1.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;c) &lt;/strong&gt;Jerusalém Oriental, incluindo-se o Haram-al-Sharif (o “Monte do Templo”) e todos os bairros árabes servirão como Capital da Palestina. Jerusalém Ocidental, incluindo-se o Muro Ocidental e todos os bairros judeus, servirão como Capital de Israel. Uma autoridade municipal conjunta, baseada na igualdade, poderia se estabelecer por aceitação mútua, para administrar a cidade como uma unidade territorial.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;d) &lt;/strong&gt;Todos os assentamentos colonizadores de Israel – exceto aqueles que possam ser anexados no marco de uma troca consensual – serão esvaziados (veja-se o 15 abaixo)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;e) &lt;/strong&gt;Israel reconhecerá o princípio do direito de retorno dos refugiados. Uma Comissão Conjunta de Verdade e Reconciliação, composta por palestinos, israelesnses e historiadores internacionais estudará os fatos de 1948 e 1967 e determinará quem foi responsável por cada coisa. O refugiado, individualmente, terá a escolha de 1) repatriação para o Estado da Palestina; 2) permanência onde estiver agora, com compensação generosa; 3) retorno e reassentamento em Israel; 4) migração a outro país, com compensação generosa. O número de refugiados que retornarão ao território de Israel será fixado por acordo mútuo, entendendo-se que não se fará nada para materialmente alterar a composição demográfica da população de Israel. As polpuldas verbas necessárias para a implementação desta solução devem ser fornecidas pela comunidade internacional, no interesse da paz planetária. Isto economizaria muito do dinheiro gasto hoje militarmente e a partir de presentes dos EUA.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;f) &lt;/strong&gt;A Cisjordânia, Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza constituirão uma unidade nacional. Um vínculo extra-territorial (estrada, trilho, túnel ou ponte) ligará a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;g) &lt;/strong&gt;Israel e Síria assinarão um acordo de paz. Israel recuará até a linha de 1967 e todos os assentamentos colonizadores das Colinas de Golã serão desmantelados. A Síria interromperá todas as atividades anti-Israel, conduzidas direta ou vicariamente. Os dois lados estabelecerão relações normais.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;h) &lt;/strong&gt;De acordo com a Iniciativa Saudita de Paz, todos os membros da Liga Árabe reconhecerão Israel, e terão com Israel relações normais. Poder-se-á considerar conversações sobre uma futura União do Oriente Médio, no modelo da União Européia, possivelmente incluindo a Turquia e o Irã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14) A unidade palestina é essencial. A paz feita só com um naco da população de nada vale. Os Estados Unidos facilitarão a reconciliação palestina e a unificação das estruturas palestinas. Para isso, os EUA terminarão com o seu boicote ao Hamas (que ganhou as últimas eleições), começarão um diálogo político com o movimento e sugerirão que Israel faça o mesmo. Os EUA respeitarão quaisquer resultados de eleições palestinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15) O governo dos EUA ajudará o governo de Israel a enfrentar-se com o problema dos assentamentos colonizadores. A partir de agora, os colonos terão um ano para deixar os territórios ocupados e voluntariamente voltar em troca de compensação que lhes permitirá construir seus lares dentro de Israel. Depois disso, todos os assentamentos serão esvaziados, exceto aqueles em quaisquer áreas anexadas a Israel sob o acordo de paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16) Eu sugiro ao Sr., como Presidente dos Estados Unidos, que venha a Israel e se dirija ao povo israelense pessoalmente, não só no pódio do parlamento, mas também num comício de massas na Praça Rabin em Tel-Aviv. O Presidente Anwar Sadat, do Egito, veio a Israel em 1977 e, ao se dirigir ao povo de Israel diretamente, mudou em tudo a atitude deles em relação à paz com o Egito. No momento, a maioria dos israelenses se sente insegura, incerta e temerosa de qualquer iniciativa ousada de paz, em parte graças a uma desconfiança de qualquer coisa que venha do lado árabe. A intervenção do Sr., neste momento crítico, poderia, literalmente, fazer milagres, ao criar a base psicológica para a paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(esta é uma &lt;a href="http://www.thenation.com/doc/20090112/avnery" target="_blank"&gt;carta aberta escrita por Uri Avnery&lt;/a&gt;, 85 anos, ex-deputado do Knesset, soldado que ajudou a fundar Israel em 1948 e que há décadas &lt;a href="http://zope.gush-shalom.org/index_en.html" target="_blank"&gt;milita pela paz&lt;/a&gt;. A tradução ao português é de Idelber Avelar. O obrigado pelo envio do link vai ao &lt;a href="http://verbeat.org/blogs/razbliuto" target="_blank"&gt;Daniel &lt;/a&gt;do &lt;a href="http://www.amalgama.blog.br/" target="_blank"&gt;Amálgama&lt;/a&gt;. O pedido de divulgação vai a todos os que desejam uma paz duradoura, nos termos já reconhecidos pela comunidade internacional). &lt;/em&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[ * Ao ler o post no Biscoito Fino sobre o &lt;a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/01/glossario_macabro_da_ocupacao_1_conflito.php" target="_blank"&gt;glossário macabro&lt;/a&gt;, me dei conta imediatamente da armadilha em que havia entrado com minhas próprias pernas: "ponderação" é péssima palavra aqui. Quis realçar a diferença de Avnery em relação a grande parte de seus compatriotas, mas com isso incorri no erro grave de colocar, ainda que indiretamente, racismo (para dizer o mínimo) como sendo "falta de ponderação". Um cidadão israelense que enxergue o Outro palestino não está sendo ponderado, está apenas sendo justo, correto, íntegro, ético. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Mea culpa&lt;/span&gt; total. ]&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-295578848484067534?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/295578848484067534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=295578848484067534&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/295578848484067534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/295578848484067534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2008/12/para-um-feliz-ano-novo.html' title='Para um feliz ano novo'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SVomRshydvI/AAAAAAAAAK8/frwwxp-ew2c/s72-c/israel-palestina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-5705076637410282525</id><published>2008-11-08T11:26:00.010-02:00</published><updated>2008-11-08T11:48:05.976-02:00</updated><title type='text'>Gary Francione em português</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SRWW5oaXPgI/AAAAAAAAAHs/LWJXJHOVeqo/s1600-h/anima.gif"&gt;&lt;img style="margin: 10pt 15px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 170px; height: 122px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SRWW5oaXPgI/AAAAAAAAAHs/LWJXJHOVeqo/s400/anima.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266281256124366338" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O site da &lt;a href="http://www.anima.org.ar/" target="_blank"&gt;Ánima&lt;/a&gt;, organização argentina pelos direitos animais, agora tem um espaço exclusivamente dedicado a reproduzir os artigos, entrevistas e textos do blog de Gary Francione em português (acesso direto &lt;a href="http://www.anima.org.ar/libertacao/abordagens/francione.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é uma excelente notícia, e a iniciativa é merecedora dos maiores elogios. Dê uma conferida e divulgue.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-5705076637410282525?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/5705076637410282525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=5705076637410282525&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/5705076637410282525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/5705076637410282525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2008/11/gary-francione-em-portugus.html' title='Gary Francione em português'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SRWW5oaXPgI/AAAAAAAAAHs/LWJXJHOVeqo/s72-c/anima.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-4064171420487809417</id><published>2008-10-16T16:32:00.006-03:00</published><updated>2008-10-16T18:03:47.635-03:00</updated><title type='text'>A outra encruzilhada</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SPehMgaoeLI/AAAAAAAAAHk/YAKq3C4dNBI/s1600-h/astecas.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 5px 0px 15px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 440px; height: 294px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SPehMgaoeLI/AAAAAAAAAHk/YAKq3C4dNBI/s400/astecas.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5257848326210484402" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Do site do &lt;a href="http://gaepoa.org/site/?m=Noticia&amp;amp;id=148" target="_blank"&gt;GAE &lt;/a&gt;vem a notícia da aprovação do projeto de lei complementar, na Câmara Munipal de Porto Alegre, que "desclassifica como ato lesivo, no Código Municipal de Limpeza Urbana, a deposição em locais públicos de animais mortos, normalmente utilizados em cultos e liturgias de religiões afros". Prossegue a nota:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Em abril, uma lei que estabelecia multa para quem deixasse restos de  animais mortos em vias, rios, arroios e riachos havia sido sancionada  e acabou se criando uma polêmica entre religiões.&lt;br /&gt;À época, o texto apresentado pelo vereador Almerindo Filho (PTB),  pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, e sancionado pelo então  prefeito interino, Eliseu Santos (PTB), ligado à Assembléia de Deus,  indicava multa de até R$ 330. Sentindo-se vítimas de preconceito,  seguidores de religiões afrobrasileiras protestaram.&lt;br /&gt;Apesar de a norma não fazer referência direta a manifestações de  credo, eles afirmaram que a legislação atingia em cheio práticas  religiosas afro. É comum, em despachos, deixar restos de animais, como  galinha, após oferendas para orixás realizadas nas encruzilhadas.&lt;br /&gt;Autor do projeto, o vereador Guilherme Barbosa (PT) disse que era  necessário corrigir o erro trazido pela lei complementar, pois teria  causado conseqüências negativas a atividades religiosas que utilizam o  sacrifício de animais."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A votação do projeto contou com 20 votos a favor e 6 contra, e agora aguarda a sanção do prefeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa notícia me chega como um sublinhado na situação vivida nas últimas eleições. Priorizando a questão ambiental e dos direitos animais como filtro na hora em que fui escolher em quem votar para vereador (desde que do PT ou alinhado à esquerda), o cenário oferecido se mostrou francamente desencorajador. Embora pareça paradoxal, a esquerda tende a votar contra os direitos animais, e a direita, a favor. Mas não há paradoxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esquerda, por definição mais sensível ao coletivo e às questões de direitos humanos, não consegue dar um passo além e ampliar as fronteiras da noção de coletividade ou incluir os animais como também sujeitos de direito. A recente votação na cidade pelo fim das carroças é o exemplo mais bem acabado da prática baseada nessa visão de curto alcance: a esquerda votou maciçamente pela continuidade do modelo que, ao pretender proteger o carroceiro, mantém o cavalo condenado à exploração. A extinção das carroças (em oito anos!) foi aprovada, mas por muito pouco, e graças aos partidos de direita. A expectativa pela libertação dos cavalos é inquestionavelmente um fato a ser comemorado, mas fica o desconforto ideológico da aprovação ter se dado nessas circunstâncias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A direita, por sua vez, pode eventualmente coincidir sua prática política com a defesa dos direitos animais, mas não tem uma gota sequer em seu discurso que contemple de fato esses direitos. Assim como o fim das carroças pode ser desejável apenas em função do ideal do que deva ser uma cidade "desenvolvida" (portanto: cavalos? que cavalos?), a interdição aos despachos nos permite imaginar desde motivações meramente higiênicas até as escancaradamente racistas, e acho que não erraremos muito se deixarmos a imaginação correr solta nesse caso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O defensor dos direitos animais, seja ele de esquerda ou de direita, continua tendo como tarefa a inclusão dessa pauta no projeto político com o qual se afina. Na política partidária, permanecemos todos sem representação. As convergências, assim, acabam se dando de maneira tão enviezada que estão sempre a um passo de sua própria deslegitimização, e resultam em um desgaste que pode debilitar a luta política pelos direitos animais propriamente dita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, e sobre os despachos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, acho que em uma sociedade laica todas as manifestações religiosas devem guardar os limites legais entendendo que estes têm como foro de discussão um ambiente laico. Quanto ao legislativo, é importante lembrar da diferença entre defesa da liberdade de culto e defesa da liturgia do culto. A primeira é obrigação constitucional que diz respeito a todos; a segunda, obviamente, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[ a ilustração foi retirada do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Codex Magliabechiano&lt;/span&gt; (meados do século XVI), e mostra uma cena de sacrifício humano, parte integrante da religião asteca ]&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-4064171420487809417?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/4064171420487809417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=4064171420487809417&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/4064171420487809417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/4064171420487809417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2008/10/outra-encruzilhada.html' title='A outra encruzilhada'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SPehMgaoeLI/AAAAAAAAAHk/YAKq3C4dNBI/s72-c/astecas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-532197356725144652</id><published>2008-08-10T15:23:00.008-03:00</published><updated>2008-08-10T15:37:44.548-03:00</updated><title type='text'>Perder e encontrar</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SJ8iXi9SfKI/AAAAAAAAAHc/WMHdddTPoUY/s1600-h/Medeia-Callas.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 5px 0px 15px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 440px; height: 244px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SJ8iXi9SfKI/AAAAAAAAAHc/WMHdddTPoUY/s400/Medeia-Callas.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5232939079944010914" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Ainda no embalo da discussão que aconteceu no &lt;a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2008/08/ecoterrorismo_e_fundamentalismo_natureba.php" target="_blank"&gt;Biscoito Fino e a Massa&lt;/a&gt;, fiquei com vontade de falar mais sobre um ponto que abordei muito de passagem por lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos debates sobre direitos animais, boa parte das reações dos que não concordam com essa idéia tem uma coisa em comum que sempre me impressiona bastante: o medo da perda da humanidade. De várias maneiras aparece nas entrelinhas – às vezes explicitamente fora delas – a certeza de que, se olhar para o animal não-humano de outra forma que não a do especismo vigente, o animal humano vai fazer com que o bicho deixe de ser bicho e o homem deixe de ser homem. Tipo a quebra de um encantamento, que devolve todos ao caos. Nesse espaço subitamente tornado confuso pelo rompimento da fronteira tranqüilizadora entre homens e bichos, é o medo então que passa a comandar o leme e a definir o rumo das coisas.&lt;br /&gt;Fico pensando nisso porque a reação apaixonada, que é coisa por si só muito interessante, tem sempre nesse debate um tom de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ultraje&lt;/span&gt;. E eu gosto muito da força dessa palavra, e acho muito potente a situação de quem se sente ultrajado. Tem algo de quebra, de violação no ato de ultrajar. Embora o momento do ultraje seja de passividade, de perceber e sentir a violação cometida, só os deuses sabem o que pode vir depois disso. Do ultrajado dá para esperar qualquer coisa.&lt;br /&gt;Então, diante de fronteiras que se diluem e parecem levar para o ralo a humanidade do debatedor reativo, o medo e o ultraje surgem como componentes-chave dos argumentos que, a essa altura, provavelmente serão ditos alguns decibéis acima do normal. Ou escritos em caixa-alta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me contou a querida Naza, que tem a experiência de colocar o debate sobre direitos animais para seus alunos na universidade, sobre a aluna que reagiu de maneira mais extremada à exibição de &lt;a href="http://vedevegano.blogspot.com/2007/08/ficha.html"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Terráqueos&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; e depois se tornou vegana. É um bom exemplo de potência (nesse caso, transformadora) advinda da situação de ultraje. A mesma mobilização que dá energia para elevar os decibéis também serve de combustível para detonar um processo de reflexão onde não caberá mais o medo da fronteira explodida, do ralo engolidor de humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se isso tudo já não fosse bonito o suficiente, para mim o que há de mais bacana é o que se segue. Parecido com a transição entre as distintas realidades do sono e da vigília, o momento de encarar sem medo a possibilidade da própria humanidade escoar pelo ralo nebuloso é o momento mesmo de redescobrir essa humanidade. Ela não só continua lá, intacta, mas além disso agora se encontra também fortalecida e revigorada pelo processo todo. Afinal quem passou pelo medo, o ultraje, a raiva e a reflexão não foi nada e nem ninguém senão o próprio homem. É assim que a assombração da perda se desvanece sem o estardalhaço com que começou. Esse é o ponto em que toda histeria cessa. A vida pode finalmente começar a se desenhar em outros termos, pois agora há um autor que acaba de se reencontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então sigo interessado e impressionado conforme as experiências confirmam: o debate inflamado nem sempre é vazio. Às vezes uma contra-argumentação raivosa é apenas destrutiva, mas, ironicamente, há brechas para uma reflexão mais ponderada que só conseguem ser abertas pela força da raiva. Um paradoxo. Tipicamente humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[ a cena que ilustra o post mostra a personagem-título de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Medéia&lt;/span&gt;, interpretada por Maria Callas no filme de Pasolini sobre o qual já falei &lt;a href="http://vedevegano.blogspot.com/2007/10/palavras-de-centauro.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Medéia é o exemplo-mor do que um ultraje é capaz de causar. Jasão que o diga. ]&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-532197356725144652?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/532197356725144652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=532197356725144652&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/532197356725144652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/532197356725144652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2008/08/perder-e-encontrar.html' title='Perder e encontrar'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SJ8iXi9SfKI/AAAAAAAAAHc/WMHdddTPoUY/s72-c/Medeia-Callas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-4732722805110194898</id><published>2008-08-09T11:53:00.004-03:00</published><updated>2008-08-09T12:29:57.959-03:00</updated><title type='text'>Discussão no Biscoito</title><content type='html'>No meu blog favorito, &lt;a href="http://www.idelberavelar.com/" target="_blank"&gt;O Biscoito Fino e a Massa&lt;/a&gt;, o grande Idelber Avelar postou anteontem sobre um recente atentado a bomba à casa de um professor norte-americano que trabalha com pesquisa fazendo uso de ratos. O título é &lt;a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2008/08/ecoterrorismo_e_fundamentalismo_natureba.php" target="_blank"&gt;"Ecoterrorismo e fundamentalismo natureba"&lt;/a&gt;, e as considerações que acompanham a notícia do fato geraram uma discussão que passou dos cem comentários. Não relato aqui especificamente sobre esses comentários porque já expressei minha opinião lá mesmo, mas a coisa toda é bastante exemplar sobre como costuma transcorrer tipicamente um debate desses. Os argumentos e contra-argumentos, mesmo os piores, são muito vívidos, e a sua concretude (para bem ou para mal) é berrantemente reveladora do ponto em que estamos todos sobre essa questão. Vale a pena dar uma conferida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-4732722805110194898?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/4732722805110194898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=4732722805110194898&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/4732722805110194898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/4732722805110194898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2008/08/discusso-no-biscoito.html' title='Discussão no Biscoito'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-4534974341430119651</id><published>2008-07-14T09:47:00.003-03:00</published><updated>2008-07-14T09:52:52.710-03:00</updated><title type='text'>"Exigimos a saída de Gilmar Mendes do STF"</title><content type='html'>É a petição on-line que você pode assinar &lt;a href="http://www.petitiononline.com/w267x65/petition.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Não é preciso dizer mais nada, né?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-4534974341430119651?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/4534974341430119651/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=4534974341430119651&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/4534974341430119651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/4534974341430119651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2008/07/exigimos-sada-de-gilmar-mendes-do-stf.html' title='&quot;Exigimos a saída de Gilmar Mendes do STF&quot;'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-6987444682121951930</id><published>2008-07-08T11:21:00.006-03:00</published><updated>2008-11-18T03:46:11.501-02:00</updated><title type='text'>Mas será o Benedito?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SHN9L7pUYWI/AAAAAAAAAHU/uNclHP1DtnM/s1600-h/contra.png"&gt;&lt;img style="float:left; margin: 5pt 10pt 5pt 0pt;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SHN9L7pUYWI/AAAAAAAAAHU/uNclHP1DtnM/s400/contra.png" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5220654036995563874" /&gt;&lt;/a&gt;O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) é relator de um parecer que examina um projeto de lei da Câmara e dois projetos do Senado que tratam dos crimes de informática. O parecer do senador Azeredo, já aprovado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, após alterações aos projetos originais, emendas, substitutivos, etc., etc., resultou num conjunto de medidas que acabam com a liberdade no uso da Internet pelos brasileiros, com regulamentações que chegam ao ridículo (leia &lt;a href="http://webthes.senado.gov.br/sil/Comissoes/Permanentes/CCJ/Pareceres/PLC2008061889.rtf "target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André Lemos (Prof. Associado da Faculdade de Comunicação da UFBA, Pesquisador 1 do CNPq) e Sérgio Amadeu da Silveira (Professor Titular Faculdade Cásper Líbero, ativista do software livre – blog &lt;a href="http://samadeu.blogspot.com/" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;) escreveram uma petição em reação a esse absurdo que você pode ler e assinar &lt;a href="http://www.petitiononline.com/veto2008/petition.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já assinei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-6987444682121951930?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/6987444682121951930/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=6987444682121951930&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/6987444682121951930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/6987444682121951930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2008/07/mas-ser-o-benedito.html' title='Mas será o Benedito?'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SHN9L7pUYWI/AAAAAAAAAHU/uNclHP1DtnM/s72-c/contra.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-3740904829257245535</id><published>2008-07-06T18:45:00.001-03:00</published><updated>2008-11-18T03:46:11.596-02:00</updated><title type='text'>Louis Theroux, mezzo roto, mezzo esfarrapado</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SHE5uERdgnI/AAAAAAAAAHM/Rs5Xp8JOiDE/s1600-h/theroux.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 5px 0px 15px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 435px; height: 186px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SHE5uERdgnI/AAAAAAAAAHM/Rs5Xp8JOiDE/s400/theroux.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5220016906682860146" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Assisti na última sexta-feira a um programa de Louis Theroux no GNT sobre caçadores e caçadas na África do Sul (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Louis Theroux's African Hunting Holiday&lt;/span&gt;, 2008). Louis Theroux é um jornalista da BBC2 que faz imersões muito contundentes naquilo que ele próprio chama de "subculturas". Misturando os papéis de observador e participante dos rituais específicos de cada universo investigado, ele já mostrou a indústria pornográfica, os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;infomercials&lt;/span&gt; e o televangelismo, por exemplo. Eu sempre gostei de assistir. Vi a chamada uns dias antes e fiquei ligado e acabei esquecendo, mas na sexta-feira peguei o programa do início por pura sorte, enquanto zapeava atrás de alguma coisa interessante. Chamei o Felipe e ficamos os dois esperando para ver o que resultaria dessa imersão específica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinopse: Louis Theroux vai à África do Sul, mais especificamente a fazendas de caça, onde acompanha os proprietários que criam animais selvagens e os turistas que estão ali para caçá-los, pagando a aventura de acordo com o animal abatido. Um porco-do-mato custa cerca de 250 dólares a cabeça, enquanto que animais maiores e mais raros, como o rinoceronte, podem chegar a 70 mil dólares americanos ou mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns dados: essas fazendas costumavam ser locais ou de criação de gado ou de plantação. Diante da demanda cada vez maior, especialmente de norte-americanos, os proprietários migraram para a exploração da caça "selvagem". Reconstituíram o ambiente de savana e passaram a criar babuínos, gnus, girafas, zebras, leões e outras espécies com a finalidade específica de serem abatidas por caçadores ansiosos para levar um "troféu" para casa. Pense bem: quem não adoraria ter uma cabeça de rinoceronte ornamentando a parede da sala de estar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais dados: um criador de leões mostra como os seus animais são bonitos, bem criados e sem cicatrizes, ao passo que numa caça convencional você levaria para casa a cabeça de um leão provavelmente todo estropiado. Vamos combinar, não há decoração que resista, né? Outra questão é o aproveitamento do tempo. Você poderia ficar uns três meses no Zimbábue, por exemplo, até conseguir caçar um animal que valesse a pena. Numa fazenda sul-africana, você pode matar cinco ou seis em um só dia, a tiro ou flechada. Uau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tanto o que falar sobre isso tudo. O ambiente controlado. A vida como parque temático. A busca ensandecida por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;the real thing&lt;/span&gt; na exata medida em que é a confissão da perda da capacidade de conexão com qualquer coisa que possa, mesmo de longe, ser chamada de real. Enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vamos ficar com Louis Theroux e o programa em si. Que abre com um sujeito, dono de uma dessas fazendas, acompanhando a filha, uma loirinha fofa de seis ou sete anos, abatendo o seu primeiro troféu: um porco-do-mato que pastava desavisada e tranqüilamente a alguns poucos metros do abrigo-disfarce de onde a menina disparou, com precisão, mirando no tronco logo atrás da pata dianteira. Pulmão e coração atingidos, o pai congratula a menina diante do corpo morto e ensangüentado: "Belo tiro!"&lt;br /&gt;É esse mesmo sujeito que, lá pela metade do programa, avisa a Louis Theroux sobre a inconsistência do seu choque a respeito dos animais que estão ali "apenas para serem mortos" diante da crueldade maior de qualquer abatedouro no manejo e morte da vaca cotidiana. Ele está certo, é claro, mas ao invés disso abrir uma brecha sobre o bife aparentemente inquestionável, acaba por pavimentar a estrada de Louis Theroux rumo à experiência de se tornar, ele próprio, um caçador. A conexão com aquele "eu interior" que não passa, você sabe, de um assassino tanto naturalizado quanto ancestral. (Ninguém lembra que os nossos ancestrais de verdade contavam com pouco mais do que as próprias mãos para caçar e que fazendas "cace-e-pague" são invenção recentíssima, mas quem se importa?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim Louis Theroux se vê dentro de um abrigo, empunhando uma besta munida de mira telescópica, prestes a apertar o gatilho e matar o seu primeiro porco-do-mato. Tal e qual a menina de seis ou sete anos. A besta chega a ser armada, mas na hora H o repórter diz ao seu acompanhante caçador: "Não posso. Eu não tenho vontade de matar." O acompanhante o consola lembrando que está tudo bem, pois alguns de nós são caçadores, outros, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O programa termina com Louis Theroux, frouxamente, dizendo que come o bife, mas não consegue caçar. A pergunta óbvia (e que não é feita) seria "Por que isso acontece?", só que o esboço de reflexão logo se perde diante da menção ao fato "paradoxal" de um criador que praticamente "salvou" uma espécie da extinção ao criá-la extensivamente para a caça em fazendas... O falso paradoxo resume o tom do programa, cujos pontos levantados parece que sim, mas nunca chegam de fato a desafiar a noção dos animais como objetos. Tudo parte do fato de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;como&lt;/span&gt; esses objetos são tratados. A morte certeira e limpa numa fazenda de caça é mais honesta do que a morte torturante num abatedouro? É isso? É essa a questão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não: a questão é outra, e diz respeito à possibilidade, sempre presente e sistematicamente recusada, de simplesmente não matar, não abusar, não pretender possuir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[ a imagem que ilustra o post foi retirada da página da BBC News com informações sobre o programa, que você acessa &lt;a href="http://news.bbc.co.uk/1/hi/magazine/7329425.stm" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt; ]&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-3740904829257245535?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/3740904829257245535/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=3740904829257245535&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/3740904829257245535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/3740904829257245535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2008/07/louis-theroux-o-roto.html' title='Louis Theroux, mezzo roto, mezzo esfarrapado'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SHE5uERdgnI/AAAAAAAAAHM/Rs5Xp8JOiDE/s72-c/theroux.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-1249135270473633022</id><published>2008-05-21T10:28:00.009-03:00</published><updated>2008-11-18T03:46:11.839-02:00</updated><title type='text'>Projeto Floresta Zero</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SDQoC1Bvl1I/AAAAAAAAAGc/nWJw6mtA-Ns/s1600-h/meia_amazonia_nao.png"&gt;&lt;img style="margin: 5pt 10pt 5pt 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 216px; height: 202px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SDQoC1Bvl1I/AAAAAAAAAGc/nWJw6mtA-Ns/s400/meia_amazonia_nao.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5202827498579007314" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O projeto de lei 6424/2005, originalmente de autoria do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) e posteriomente modificado pela Comissão de Agricultura do Congresso, altera o Código Florestal brasileiro, autorizando a derrubada de até 50% de floresta nativa nas propriedades privadas na Amazônia. A legislação atual prevê um limite máximo de 20%. Além de ampliar a permissão para acabar com o que ainda está de pé, o projeto cancela multas de autuações ambientais ocorridas antes da publicação da lei, legalizando praticamente todos os desmatamentos dos últimos 40 anos na região, o que dá em torno de 700 mil quilômetros quadrados de floresta. Não tem idéia do tamanho disso? É quase a área equivalente a três estados de São Paulo. Como se não bastasse, ainda permite que a "recuperação" de áreas degradadas se dê pelo plantio de espécies exóticas ou em outras áreas. É isso mesmo: você derruba floresta nativa e compensa plantando cacau, dendê, teca ou eucalipto (todos exploráveis economicamente, é claro). Melhor ainda, não precisa fazê-lo exatamente na área degradada: se "não der" para replantar ali mesmo (segundo os critérios do órgão ambiental estadual), pode ser em outra microbacia ou bacia hidrográfica do estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As modificações que tornaram o que já era espantoso em absolutamente inacreditável ocorreram depois que o relator do projeto de lei na Comissão de Agricultura e Pecuária, deputado Homero Pereira (PR-MT) — que já foi presidente da associação de produtores de soja do Mato Grosso — acatou as emendas favoráveis aos ruralistas e rejeitou as emendas propostas pelo Ministério do Meio Ambiente. Seu relatório foi votado e aprovado em 19 de dezembro de 2007 por 24 votos a 1.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa gracinha agora tramita na Câmara dos Deputados pelas mãos zelosas da bancada ruralista, que fica lá, costurando seus apoios na surdina, torcendo para que tudo ocorra na maior invisibilidade. Atualmente o projeto de lei aguarda votação na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, com relatoria do deputado Jorge Khoury (DEM-BA), e depois deve seguir para a Comissão de Constituição e Justiça antes de retornar ao Senado para análise das modificações efetuadas pela Câmara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Greenpeace, juntamente com outras entidades, lançou a campanha cujo logo ilustra este post e que está levantando um abaixo-assinado para que os cidadãos se manifestem  contrariamente a esse absurdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para assinar, clique &lt;a href="http://www.meiamazonianao.org.br/" taget="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[ o texto do relatório da aprovado pela Comissão de Agricultura está disponível em pdf &lt;a href="http://www.camara.gov.br/sileg/integras/526132.pdf"&gt;aqui&lt;/a&gt; ]&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-1249135270473633022?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/1249135270473633022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=1249135270473633022&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/1249135270473633022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/1249135270473633022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2008/05/projeto-floresta-zero.html' title='Projeto Floresta Zero'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SDQoC1Bvl1I/AAAAAAAAAGc/nWJw6mtA-Ns/s72-c/meia_amazonia_nao.png' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-8557491892174830185</id><published>2008-04-12T15:20:00.026-03:00</published><updated>2008-11-18T03:46:12.041-02:00</updated><title type='text'>Explícito implícito</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SAFZulvWUNI/AAAAAAAAAGU/Z1JFC1GOvnQ/s1600-h/schindlers_list.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 5px 10px 0px 0px; float: left; cursor: pointer; width: 265px; height: 188px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SAFZulvWUNI/AAAAAAAAAGU/Z1JFC1GOvnQ/s400/schindlers_list.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5188526902647083218" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Descobri outro dia no site de Gary Francione que estão disponíveis versões em português dos vídeos dele. Na realidade são slides de texto e imagem em forma de vídeo. O primeiro, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Teoria dos direitos animais&lt;/span&gt;, dá uma geral e introduz o assunto. Não há sequer trilha sonora e as imagens são poucas, e me chamou a atenção a falta de imagens "chocantes". Há cenas de animais mortos ou feridos, mas uma foto de jornal ilustrando alguma matéria sobre produção pecuária corre o risco de ser mais perturbadora. Gostei. Imediatamente me deu vontade de apresentar o vídeo pra todo mundo. Hoje enviei um e-mail para os amigos queridos dando o link até o vídeo e explicando do que se tratava, e explicitamente avisando de que ninguém seria submetido a um "show de horrores" caso se dispusesse a assistir. Quer dizer: eu sou absolutamente a favor do show de horrores. Assisti a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Terráqueos&lt;/span&gt; e sei o quanto a crueza de todas aquelas cenas ajudou na minha mobilização imediata com o assunto (mas falo sobre isso em seguida). E acho importante salientar que qualquer diferença dessa natureza na abordagem do tema há de se dar num nível bastante superficial. Uma imagem ou duzentos e cinqüenta? Com ou sem sangue? Isso tudo é irrelevante uma vez que se tenha realmente começado a enfrentar a questão, mas, antes que esse momento aconteça, a abordagem "menos chocante" dos direitos animais me parece uma boa alternativa para alcançar aquelas pessoas que sabem o tanto de horror que está necessariamente implicado nesse tema. As pessoas que, exatamente por causa disso, não querem mais saber. Ou saber "mais" do que já sabem. O dado explícito e chocante das imagens (ou da descrição textual pormenorizada) acaba servindo de justificativa para o afastamento total do debate, e falo aqui principalmente do debate consigo mesmo. É a hora de dar stop no player, a hora de fechar o livro, a hora de amassar o panfleto. "Vamos mudar de assunto?" Uma pena, pois quando alguém se recusa a pensar sobre isso &lt;span style="font-style: italic;"&gt;nesses termos&lt;/span&gt; está se recusando a debater o assunto de qualquer maneira, pois não há como alienar esses termos da discussão. Seria mais ou menos como tentar discutir o Holocausto sem passar pelo terror dos campos de concentração, ou debater os problemas por que passa a população afro-descendente do Brasil deixando de lado tudo o que aconteceu antes de 13 de maio de 1888.&lt;br /&gt;"Quem precisa saber das condições enfrentadas nos navios negreiros, por exemplo? Vamos mudar de assunto?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Nossa consciência nos diz: precisamos de todo detalhe sobre os navios negreiros e as senzalas, toda descrição macabra sobre os guetos e os campos. A fatura desse enfrentamento deve ser debitada na conta de todos nós. Esse assunto é nosso, gostemos ou não. Por isso me sinto bastante afortunado pela oportunidade de ter assistido a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Terráqueos&lt;/span&gt;. Por ter sido confrontado com o que é também da minha conta. Foi importante ter conseguido não desviar o olho uma vez sequer, e eu quis fazer isso várias vezes. O dedo coçava pra apertar o stop no controle remoto. Mas tratei de agüentar no osso, porque aquilo me dizia respeito. Não olhar para aquelas cenas seria proceder a mais uma violência contra as vítimas que aparecem no filme. Ignorar seu sofrimento seria matá-las uma vez mais. Por fim ficou claro que meu estômago embrulhado, minha culpa, meu horror não eram nada, rigorosamente n-a-d-a diante do que cada um daqueles seres passou. Num jogo de forças em que trezentas emoções conflitantes brigam dentro de você, o que acabou prevalecendo foi um sentimento básico de acatar a responsabilidade por aquelas cenas, e esse foi o ponto exato que detonou toda a transformação posterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, pra colocar a imagem no post anterior a este fui obrigado a rever o filme justamente na parte em que eu mais quis fugir dele. A pior cena, a mais terrível pra mim. Tanto, que não conseguia sequer falar sobre ela. Eu só conseguia dizer "tem uma parte...". Fiquei assim por semanas, meses até. Que nada: um ano e quatro meses. Só consegui verbalizar a frase "a cena da raposa" quando comentei com o Felipe sobre a ilustração que iria colocar no post. Como para ele tudo ocorreu de maneira muito parecida, até então éramos dois imbecis falando sobre esse momento particular do filme:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— É que naquela hora.&lt;br /&gt;— Pois é.&lt;br /&gt;— Não dá nem pra falar, né?&lt;br /&gt;— É.&lt;br /&gt;— Pois é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O blog não tem como característica o uso dessas imagens terríveis. Mas no último post eu achei que precisava colocar a raposa. E tive de ir buscá-la no filme. Pra achar um frame adequado, revi e revi a cena que tanto me doera. Doeu de novo, é claro, mas dessa vez percebi uma relação diferente com a dor, e que agora me parece difícil colocar em palavras. Um outro entendimento, talvez, a partir da sensação de que, num mundo especista e cheio de contradições a respeito, o enfrentamento dessa dor não é apenas previsível. Ele é, realmente, necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[ para ir direto aos vídeos no site de Gary Francione, clique &lt;a href="http://www.abolitionistapproach.com/?page_id=40" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt; (e veja se você não fica com vontade de também mandar o link para os seus amigos...); a ilustração do post foi retirada da cena menos explícita de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A lista de Schindler&lt;/span&gt;, filme de Steven Spielberg de 1993 ]&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-8557491892174830185?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/8557491892174830185/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=8557491892174830185&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/8557491892174830185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/8557491892174830185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2008/04/explcito-implcito.html' title='Explícito implícito'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/SAFZulvWUNI/AAAAAAAAAGU/Z1JFC1GOvnQ/s72-c/schindlers_list.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-5432169345173306913</id><published>2008-03-29T15:08:00.010-03:00</published><updated>2008-11-18T03:46:12.337-02:00</updated><title type='text'>Parênteses</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/R-6fk2nOjaI/AAAAAAAAAGM/U3eWaPTiAMU/s1600-h/raposa.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 5px 0px 15px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 435px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/R-6fk2nOjaI/AAAAAAAAAGM/U3eWaPTiAMU/s400/raposa.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5183255676634172834" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Depois que você passa a incluir nas suas preocupações os direitos animais e trata de viver de acordo com isso, não faltam situações de confronto com o padrão especista vigente, especialmente perturbadoras nos momentos mais simplinhos e cotidianos. É no miúdo que o enraizamento profundo do especismo se deixa ver com mais eloqüência: tão sólido e natural para uns quanto absurdo e insustentável para outros. Uma situação de tensão típica é juntar à mesma mesa onívoros e veganos, e o tanto de discussão proveitosa ou hostilidade aberta que pode resultar desse encontro vai depender de civilidades e humores. Se for para apostar na convivência das diferenças, cabe ao vegano, em tal situação, guardar o discurso mais contundente para o momento em que ele se oportunize – caso se oportunize – no encaminhamento natural da conversa. Que pode até se dar no meio do próprio jantar, por que não? Por isso cabe ao onívoro ter cuidado com o que comenta ou questiona e, sobretudo, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;como&lt;/span&gt; faz o comentário ou o questionamento. A pergunta "você não come carne?" não precisa ser respondida com a descrição pormenorizada do processo de abate num matadouro, mas se após ser informado das convicções do outro o onívoro conduzir a prosa rumo à desqualificação dessas convicções, aí ele merece sim alguma resposta que abra uns belos parênteses bem no meio do seu bife. O momento de refeição/prazer de uma pessoa não é, em si mesmo, mais sagrado que qualquer momento de outra pessoa. As circunstâncias devem dar o tom e a medida para todos. Mas o especismo continua sendo o paradigma da maioria, então é comum ver onívoros, cheios da razão impensada que o pertencimento à maioria proporciona, se dizerem muito incomodados de ter o seu prazer estragado por algum comentário radical e desagradável, não importam as circunstâncias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei pensando nisso porque hoje, no meio do almoço, com a TV ligada no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jornal Hoje&lt;/span&gt;, assisti à seguinte matéria:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Duzentas e setenta e cinco mil focas devem ser mortas na temporada de caça no Canadá. Para diminuir a crueldade, o governo determinou que os animais só podem ser abatidos a tiros ou com golpes na cabeça e pediu aos caçadores que, antes de retirar a pele das focas, se certifiquem de que elas estão mortas.&lt;br /&gt;Os ecologistas protestaram. Segundo eles, as novas regras não vão impedir a matança bárbara dos animais."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como são as coisas: para ter a sua refeição estragada nem é preciso ser onívoro, e muito menos ter ao lado um defensor dos direitos animais radical e desagradável. A realidade sozinha já se encarrega disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[ o trecho da matéria foi reproduzido na íntegra, e pode ser visto &lt;a href="http://jornalhoje.globo.com/JHoje/0,19125,VJS0-3076-20080329-318979,00.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;; a ilustração do post foi retirada do documentário &lt;a href="http://www.gaepoa.org/site/?m=Video&amp;amp;id=5" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Terráqueos&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; (Earthlings), e mostra uma raposa viva momentos após ter tido sua pele inteira arrancada a sangue frio, em uma fazenda de peles chinesa; as focas no Canadá não sofrem horrores menores: &lt;a href="https://community.hsus.org/campaign/trademinister_protectseals08?rk=zpzDI95qEX9zE" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt; você pode assinar uma carta ao ministro canadense do Comércio Internacional para que acabe com esse absurdo ]&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-5432169345173306913?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/5432169345173306913/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=5432169345173306913&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/5432169345173306913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/5432169345173306913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2008/03/parnteses.html' title='Parênteses'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/R-6fk2nOjaI/AAAAAAAAAGM/U3eWaPTiAMU/s72-c/raposa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-2962900181228593191</id><published>2008-03-20T14:19:00.013-03:00</published><updated>2008-11-18T03:46:12.465-02:00</updated><title type='text'>Das comemorações</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/R-KlmWnOjZI/AAAAAAAAAGE/MMKAQ0aHwKg/s1600-h/doberman.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 0px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 221px; height: 210px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/R-KlmWnOjZI/AAAAAAAAAGE/MMKAQ0aHwKg/s400/doberman.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5179884599753215378" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Não bastasse a notícia recente de que a caça esportiva foi proibida no Rio Grande Grande do Sul pelo TRF, trazida pela&lt;a href="http://www.ecoagencia.com.br/" target="_blank"&gt; EcoAgência&lt;/a&gt;, deu hoje na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Folha Online&lt;/span&gt;: o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) proibiu o procedimento de corte de orelhas e cordas vocais em cachorros e remoção de unhas em gatos. A medida, publicada ontem no Diário Oficial da União, também torna não-recomendado o corte de cauda em cachorros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz a matéria: " 'A conchectomia [corte da orelha] e caudectomia [corte da cauda] são tradições que alguém criou por entender que os animais ficam mais bonitos nessa condição, mas temos que respeitar o direito deles', afirmou Benedito Fortes de Arruda, presidente do CFMV."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manifestando-se contrário à resolução, Délio Mendes, criador de cães doberman em Brasília, diz que nas competições da raça os animais com orelhas cortadas levam vantagem por seguirem a orientação da federação internacional. Hein? Ele completa, candidamente: "É para satisfazer o ego do dono? É, mas a vaidade tem benefício para o cachorro, que vai poder comer ração de boa qualidade pelo investimento que o dono faz nele."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu é que não queria ser amigo desse Délio: deve ser o tipo de sujeito que só te oferece uma cerveja se você satisfizer a vaidade dele:&lt;br /&gt;— Ô, Delinho, como você tá bonito hoje, rapaz!... sim, quero sim, com pouco colarinho, por favor. Lindão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[ sobre a proibição da caça esportiva, veja a notícia &lt;a href="http://www.ecoagencia.com.br/index.php?option=content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=3090&amp;amp;Itemid=2" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;; a matéria da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Folha Online&lt;/span&gt; você pode ler &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u384132.shtml" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt; ]&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-2962900181228593191?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/2962900181228593191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=2962900181228593191&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/2962900181228593191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/2962900181228593191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2008/03/das-comemoraes.html' title='Das comemorações'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/R-KlmWnOjZI/AAAAAAAAAGE/MMKAQ0aHwKg/s72-c/doberman.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-5148387512892280046</id><published>2008-03-07T21:24:00.013-03:00</published><updated>2008-11-18T03:46:12.682-02:00</updated><title type='text'>O inferno dos outros não é outro inferno</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/R9L6BhvITyI/AAAAAAAAAF8/98dYYgc7JZg/s1600-h/cidade.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 5px 0px 15px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 440px; height: 192px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/R9L6BhvITyI/AAAAAAAAAF8/98dYYgc7JZg/s400/cidade.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175473825944981282" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Felipe e eu estávamos anteontem no final da manhã esperando ônibus numa grande avenida da cidade. O calor, a poluição e o ruído excessivo tinham me colocado rapidamente em profundo desconforto físico. Lamentava não ter um carro e resolver a tarefa simples de comprar material de ferragem sem precisar ficar ali à espera. Esse material era para finalizar um trabalho doméstico que estava por trás do principal motivo do meu desconforto: poucos dias antes, para instalar prateleiras em casa, tive de fazer exatos 24 furos numa parede que se mostrou mais resistente do que prometia. Foram alguns bons minutos ininterruptos com a furadeira em modo "impacto". Quando acabei, meu ouvido direito zumbia e apitava como se recém-saído de um show de rock, daqueles em que você fica muito perto de alguma caixa acústica. Nada que uma boa noite de sono não resolva, pensei. Mas o dia seguinte começou com o meu primeiro lampejo de consciência já detectando: o zumbido-apito ainda estava lá, e tão forte como antes. Well...&lt;br /&gt;A Internet me esclareceu o termo médico: tinnitus. Pode ser causado por doença ou por trauma. A partir de 85 decibéis os ruídos começam a causar algum estrago à audição. Uma furadeira pode chegar a 105 decibéis. A extensão do dano vai depender da sensibilidade do indivíduo, da intensidade do ruído, do tempo de exposição a ele e também do quanto o ouvido já foi afetado em ocasiões anteriores. O tempo necessário à recuperação aumenta a cada novo trauma. Às vezes, o tamanho do trauma ou a sua repetição tornam o tinnitus permanente. Uns 17% da população mundial têm de conviver com um ruído de algum tipo que está lá, dentro da cabeça, e do qual não se pode escapar. Não há como saber se o tinnitus vai sumir ou não a não ser esperando pra ver. Pode durar dias, mas, pelo que li, em geral deve desaparecer em até 24 horas em 90% dos casos, chegando até 48 horas os outros 10%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu primeiro dia pós-trauma foi um inferno de assombrações me dizendo que estava condenado àquele incômodo para o resto da vida. Quando fecharam as 24 horas eu comecei a ter a impressão de que alguma diferença estava ocorrendo conforme eu protegia ou não o ouvido de qualquer ruído. Apostei nisso e o vedei o quanto pude com algodão, mas arrasado pela desconfiança de que a impressão talvez não passasse mesmo de apenas uma impressão. Enfim, foi só do segundo para o terceiro dia que tive certeza: o ouvido estava, aos poucos, se recuperando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperando por aquele ônibus, agora muito sensível às agressões acústicas causadas pelo trânsito de uma cidade grande, eu pensava na falta de um carro e na minha recente e perigosa aproximação à situação de condenado eterno a um desconforto do qual não se pode escapar. Já imaginou? Nunca mais a sensação de poder descansar no silêncio, ou seja, nunca mais &lt;span style="font-style: italic;"&gt;descansar&lt;/span&gt;. Para sempre sem saída, como um enterrado vivo. Um horror.&lt;br /&gt;O ônibus demorava. Calor, poluição, ruído. A falta de um carro, e eu tão desconfortável e justificado por quase ter me estropiado para o resto da vida que, ao lembrar que por outro lado isso significava também um carro a menos nas ruas, pensei: "Dane-se!". Naquele momento de imersão autocentrada, o que havia em mim de generosidade e solidariedade estava reduzido a quase zero. Até que saí do meu transe umbilical quando ouvi o Felipe dizendo "Oh!". Me virei e vi: descendo a avenida, um cavalo com uma carroça presa às suas costas lutava para não cair, as patas fugindo ao controle. Muito magro e visivelmente fraco, as ferraduras eram armadilhas no asfalto escorregadio, com todo o peso da carroça o empurrando ladeira abaixo. O sinal fechou e não foi fácil parar a tempo. Triste cena urbana porto-alegrense no início do século 21: um homem e uma mulher numa carroça, na avenida movimentadíssima, puxada por um cavalo fraco, provavelmente doente e desnutrido, à beira de tombar de exaustão, de dificuldade, de impossibilidade de prosseguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imediatamente me conectei com o peso nas costas. O ângulo de visão restringido. O caminhar escorregadio e a relação direta com o solo definitivamente comprometida pelo metal estranho ao corpo. Metal também na boca, onde se sentem as tensões das rédeas puxadas. A fraqueza tomando conta dos membros. O ruído excessivo e constante do trânsito, o cheiro agressivo da poluição. Todos os sentidos ali, presentes num organismo vivo e complexo, e todos eles condenados a um estresse constante. Não se trata de um trauma temporário, portanto não há o que esperar. O amanhã será a repetição agoniante do hoje. Enquanto forem mantidos como regra seu status de propriedade, a crueldade talvez ignorante dos que se pretendem seus donos e a indiferença de todos nós outros, é certo que o cavalo será usado até acabar, como um objeto, e até acabar será esse inferno. Fosse um ser livre, ele teria autonomia para preencher a vida de experiências trazidas por sentidos também livres. Mas não é o caso. Quanto a mim, devidamente arrancado da minha bolha de autocentramento pela cena triste e injustificável, olhei e vi minhas assombrações recentes plenamente consumadas na vida miserável daquele cavalo. Para sempre sem saída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O horror. O horror. O horror.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-5148387512892280046?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/5148387512892280046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=5148387512892280046&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/5148387512892280046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/5148387512892280046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2008/03/o-inferno-dos-outros-no-outro-inferno.html' title='O inferno dos outros não é outro inferno'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/R9L6BhvITyI/AAAAAAAAAF8/98dYYgc7JZg/s72-c/cidade.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-6654733855988708418</id><published>2008-02-05T12:31:00.006-02:00</published><updated>2008-11-18T03:46:13.066-02:00</updated><title type='text'>A última prateleira</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/R6dRIxuMZjI/AAAAAAAAAFc/1L3LTaCkQXE/s1600-h/joanina.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 5px 10px 0px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 262px; height: 391px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/R6dRIxuMZjI/AAAAAAAAAFc/1L3LTaCkQXE/s400/joanina.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5163184709031454258" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span&gt;Quanto se inicia qualquer discussão envolvendo direitos animais e veganismo, é batata que aparecerão muito espontaneamente alguns argumentos que, embora rasinhos que só e pobres de marré, podem surgir tanto na boca de pessoas pouco esclarecidas quanto na de gente muito bem preparada para qualquer debate. É que esses argumentos não se mantêm dentro de nenhuma fronteira de nível de escolaridade, classe econômica ou de qualquer outro divisor sociocultural. Estão disseminados por tudo e todos como um bem comum, à disposição, e podem acabar sendo, num momento ou outro, acionados por qualquer um de nós. Alguns deles já tive como meus, e outros li por aí ou pude ouvir boquiaberto, mas pego &lt;/span&gt;&lt;span&gt; tão &lt;/span&gt;&lt;span&gt;"de surpresa" que não consegui rebater de imediato. Talvez não exatamente pela surpresa: podemos ficar desarmados não pela força desse tipo de argumento – que é sempre lugar-comum –, mas pela força da facilidade automática com que ele surge, por mais absurdo ou contraditório que seja. Acho isso uma incrível evidência  do poder &lt;/span&gt;&lt;span&gt;da naturalização das idéias. É certo que as coisas que temos como corretas não precisam ser necessariamente fruto de conclusões elaboradas. N&lt;/span&gt;&lt;span&gt;o final das contas, a&lt;/span&gt;&lt;span&gt; maior parte dos fundamentos conceituais da nossa vida cotidiana parece mesmo estar guardada lá na última prateleira da estante. "Alguém" os colocou lá, e ainda que visitemos a estante várias vezes por dia trocando um livro por outro, a última prateleira segue intocada, acumulando pó. Uma vez trazidos para o debate, os pobres e rasos argumentos não resistem ao menor exame, mas alcançar a última prateleira é que são elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitando o carnaval pra revisar o pó da &lt;/span&gt;&lt;span&gt;minha, sua, nossa &lt;/span&gt;&lt;span&gt;última prateleira, elenco abaixo alguns desses argumentos, seguidos das respostas que muito sinceramente eu acho que eles de fato merecem. Na boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A evolução&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; naturalmente&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; nos colocou no topo da cadeia alimentar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;E por "cadeia alimentar" entenda-se qualquer cadeia de supermercados onde nós, os predadores, vamos caçar nosso alimento armados de cédulas, cheques ou cartões de crédito. Bem naturalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Animais matam outros animais para comer&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;É verdade. Coisa mais linda é ver no National Geographic Channel os leões manejando suas criações de impalas, inseminando-os artificialmente, dando vacina e hormônio. Ou os macacos da Amazônia, superinteligentes,  abrindo a floresta pra fazer pasto pro gado: tem coisa mais comovente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O ser humano é onívoro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Todos sabem que devemos obviamente comer de tudo. Carniça. Bambu. Água-viva. Cocô. Baconzitos. Plástico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Então não podemos também comer as plantas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Isso mesmo, e devemos lembrar de outras lutas importantes: não criar o trigo em confinamento; não separar os filhotes de alface da mãe logo após o nascimento; não impedir a vida social das maçãs. E nem me fale da crueldade dos casacos de pele de feijão e dos circos de brócolis amestrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Mas e as crianças?&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;Vão bem, obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Se "tudo" tem vida, então a preservação apenas da vida animal é hipócrita ou ignorante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Logo só temos duas opções: ou preservamos a vida onde quer que ela se manifeste ou assumimos de uma vez que podemos acabar com ela sempre que desejarmos. Em outras palavras, você escolhe entre viver de luz ou matar quem quer que atrapalhe seu caminho. Tomar um antibiótico é uma atitude moralmente equivalente a estourar os miolos daquele espertinho que fura a fila do cinema. Quer dizer, quase, né?: o antibiótico mata muito mais vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Simplesmente não consigo parar de comer carne&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Eu também simplesmente não consigo parar de olhar para as &lt;span style="font-style: italic;"&gt;suas carnes&lt;/span&gt;, benzinho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Os direitos animais são apenas mais uma invenção humana&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Em contrapartida, o churrasco só pode mesmo ter sido inventado por Deus. Ou pela estátua do Laçador.&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Precisamos de proteína e cálcio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Sim, e só há proteína nas carnes e só há cálcio no leite. E também só há uma verdade nutricional, justamente aquela referendada pelos produtores de carne e a indústria de laticínios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Comer carne é uma tradição cultural que deve ser mantida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Pode crer: aqui na caverna da minha família, nos orgulhamos de manter a fogueira ininterruptamente acesa há uns 50 mil anos. O fogo, além de calor, fornece uma boa iluminação. Amanhã devo acabar a pintura de mais um bisão. Vai ficar lindo de morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O estilo de vida vegano é muito radical&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Não é? Pense bem: a própria pessoa racionalmente se responsabilizar pela sua dieta e seus hábitos de vida levando em consideração o impacto que causa aos outros e ao meio é praticamente um rafting, um bungee jumping, um rapel no Salto Ángel. Gente louca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Deus criou os animais para que nos servissem de alimento e vestuário&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Exatamente como demonstrado por Charles Darwin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Defensores dos direitos animais são caga-regras mal-humorados&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ô pessoalzinho chato! Se levam tão a sério e são tão insuportáveis quanto os defensores dos direitos humanos. Mas não me entenda mal: é evidente que sou a favor dos direitos humanos. Pra humanos direitos, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[ a imagem que ilustra o post é da Biblioteca Joanina, na Universidade de Coimbra, Portugal ]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-6654733855988708418?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/6654733855988708418/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=6654733855988708418&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/6654733855988708418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/6654733855988708418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2008/02/ltima-prateleira.html' title='A última prateleira'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/R6dRIxuMZjI/AAAAAAAAAFc/1L3LTaCkQXE/s72-c/joanina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-4129333385210469547</id><published>2008-01-31T15:54:00.001-02:00</published><updated>2008-11-18T03:46:13.343-02:00</updated><title type='text'>Puxa, Sonia, que pena</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/R6HvLBuMZiI/AAAAAAAAAFU/BnNWPFhWojI/s1600-h/rocwell.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 5px 10px 5px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 211px; height: 268px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/R6HvLBuMZiI/AAAAAAAAAFU/BnNWPFhWojI/s400/rocwell.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5161669620663084578" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Dezembro passado o Felipe e eu assistíamos ao programa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Happy Hour&lt;/span&gt;, no GNT, cujo tema do dia era "meter o pé na jaca" no final de ano, ou seja: sobre os excessos alimentares nas festas de Natal e Ano Novo. Entre os convidados, a jornalista e escritora Sonia Hirsch, que há muito tempo tem um trabalho bastante conhecido sobre alimentação e saúde. Lá pelas tantas, Sonia, vegetariana durante anos e que voltou a comer carne, comentou que por causa disso agora era de novo "uma pessoa normal", e acrescentou que, como jornalista, e portanto "curiosa", não podia mesmo ficar restrita por uma dieta cheia de interdições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Putz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonia se tornou uma referência pra mim depois que li&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;o seu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Prato Feito&lt;/span&gt;, livrinho cuja primeira edição saiu em 1983, com receitas e dicas sobre alimentação (basicamente) vegetariana que comprei (já na terceira edição), segundo a anotação na folha de rosto, em 17 de dezembro de 1986. Nele, com o seu texto deliciosamente coloquial, ela fala sobre "não ser radical", "seguir a própria intuição" e, principalmente, "nós somos o que comemos". Explica os horrores do açúcar refinado, dos pesticidas agrícolas, dos problemas de hormônios &amp;amp; cia. na criação de animais para o abate e lembra que leite de vaca é coisa para bezerro, não para humanos. Em suma, defende a alimentação vegetariana, ainda que não repudie por completo o consumo de produtos de origem animal, pois entre as receitas estão incuídos: 1) sardinha, 2) camarão, 3) siri, 4) vongoli, 5) polvo, 6) cherne, 7) ovas de tainha, 8) paella, e mais duas receitas de ricota e quatro receitas com peito (porque a carne é menos irrigada) de frango (caipira, é claro). São portanto 14 receitas com ingredientes de origem animal, que ocupam seis das 53 páginas do livro dedicadas a elas. Para alguém cujos dentes sentem saudade de um bife, Sonia recomenda seitan (bife de glúten) e carne de soja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer dizer: a concessão às receitas carnívoras não chega a lançar nenhuma dúvida sobre o foco principal do livro, os benefícios da alimentação vegetariana. Está na página 2:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E o que mais? Ah, sim, os animais. Ora, deixe os bichinhos em paz. O quê? São bons demais? Bom então tá, se não tem jeito, tá feito. Nada de preconceito. Qual é o grilo? Não é grilo só não, é que assim que morrem começa a decomposição, então... Ao menos prefira a carne branca, aquela onde o sangue não estanca. Peixe fresco, galinha de quintal, ovo de pai e mãe, tudo em pequenas porções e com montões de verdura pra acompanhar. Quem come muita carne são os leões, os tigres, as panteras, as oncinhas que têm garras pra caçar e não entendem de cozinha."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá em 1986 eu lia isso e assinava embaixo. Sonia não comia carne, não era favorável ao consumo de carne, maaaaas entendia que, às vezes, "não tem jeito". Afinal, cuidados na alimentação dizem respeito a você e seu bem-estar, né não? Aí, tempos atrás a Cláudia comentou comigo: "Sabia que a Sonia Hirsch voltou a comer carne?" Não sabia e achei bem esquisito, mas entendi isso como uma flexibilização cabível. Sonia Hirsch é Sonia Hirsch, pô! Se ela não souber o que está fazendo com a própria alimentação, quem saberá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No programa do GNT a história foi contada. Numa festa de Natal a que tinha sido convidada, ela foi colocar na mesa o prato que havia levado e viu, bem ali do lado, carne de porco. Não lembro se costela ou lombinho, mas era um prato pelo qual ela "era louca" antes de se tornar vegetariana. Aí, pensando no seu prazer e no seu bem-estar, decidiu voltar a comer carne. Porque, afinal, a gente não pode ficar preso a uma cartilha que determina que abramos mão de coisas das quais gostamos. Esse foi o argumento colocado, e a partir dele se entende que negar essa cartilha é, pelo visto, o que ela julga "ser normal".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem vou comentar sobre a não percepção da outra cartilha, a que determina que busquemos as coisas das quais gostamos ainda que isso custe a vida alheia, pois vou direto ao ponto que decorre daí: a deliciosa, tranqüilizadora e superior sensação de ser alguém &lt;span style="font-style: italic;"&gt;normal&lt;/span&gt;. Pode até parecer, mas não foi uma piada com o sentido escorregadio e de saída problemático da palavra "normal". Não foi também apenas um lembrete engraçadinho e infeliz do quanto podemos nos tornar "radicais" ao seguir "ideologicamente" uma dieta, mas antes uma afirmação do quão fora da normalidade estão aqueles que não colocam seus prazeres em primeiro lugar. O clichezão pra lá de surrado: "a obrigação da gente é ser feliz".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ahã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, relendo agora o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Prato Feito&lt;/span&gt; para citá-lo neste post deu pra ver que essa concepção já estava lá, sempre esteve lá e é o mote que agora justifica a volta ao padrão onívoro. Se a vida é pra ser vivida, tratemos de curti-la ao máximo, com o máximo de saúde, o máximo de felicidade. Quem discordaria disso? A pequena concessão à carne nas receitas foi uma porta que nunca deixou de estar aberta, por isso não há nada de surpreendente no retorno de Sonia à sua própria normalidade... é só a "volta dos que não foram".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Defendo que cada um faça consigo o que bem entender, mas puxa: com um mínimo de informação já sabemos que ao escolher um comportamento (ou uma dieta) em vez de outro estamos escolhendo também o tipo e o quanto de impacto e sofrimento infligiremos aos outros seres e ao meio. Nem precisa ser jornalista ou curioso pra saber disso. Dá uma pena danada que mais de 20 anos trabalhando com afinco sobre o tema não tenha aberto para Sonia a porta-para-além-do-próprio-umbigo, mas o que realmente chateia é vê-la sucumbir à tentação dessa normalidade tão... "normal". Ela própria, nas vezes em que se expôs fora do gueto ipanemense dos anos 1970 e 1980, deve ter sentido na pele o que é ser considerado fora da normalidade da maioria bem-pensante. Mas agora a boa filha à casa torna, pela via segura do seu autocentramento. Automotivação. Auto-referência. E, mais triste que tudo, passando uma sensação de desistência. "Se não tem jeito, tá feito". A concessão de 1983 virou aconselhamento em 2007. Não mude. Não saia do lugar. Não coloque idéias novas pra interagir com as idéias velhas. Não olhe para além de suas pequenas preferências e necessidades individuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas e o coletivo? Bem, do coletivo fique apenas com sua face difusa e não ameaçadora, portanto não se detenha nas contradições que surgem, nas urgências que tiram o seu chão e nos problemas que insistem em gritar na sua cara. Não olhe pra isso. Olhe para a grande massa sem nome ao redor, veja só como você também faz parte dela. É tranqüilizador, não é? A vida de sempre, os hábitos de sempre, as soluções de sempre. O futuro a Deus pertence e o presente é tratar de garantir as satisfações mais imediatas. Pouca farinha, meu pirão primeiro! Ah... não há nada como viver ao máximo a felicidade de uma vida inteiramente normal... Alguém aí discorda disso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[ a ilustração do post é de Norman Rockwell, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Thanksgiving Dinner&lt;/span&gt;, 1943 (ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Freedom from Want&lt;/span&gt;), da série "Four Freedoms", feita para o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Saturday Evening Post&lt;/span&gt; a partir de um discurso do presidente Franklin D. Roosevelt; Sonia Hirsch tem um site com informações sobre seus livros e alguns textos disponíveis, que você pode visitar &lt;a href="http://www.correcotia.com.br/" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt; ]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-4129333385210469547?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/4129333385210469547/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=4129333385210469547&amp;isPopup=true' title='88 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/4129333385210469547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/4129333385210469547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2008/01/puxa-sonia-que-pena.html' title='Puxa, Sonia, que pena'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/R6HvLBuMZiI/AAAAAAAAAFU/BnNWPFhWojI/s72-c/rocwell.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>88</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-6264018421519594322</id><published>2008-01-15T21:14:00.001-02:00</published><updated>2008-11-18T03:46:13.444-02:00</updated><title type='text'>Adeus ano velho, feliz ano novo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/R408O-N-0FI/AAAAAAAAAFE/VCfxLpDL1Q8/s1600-h/calendario.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 5px 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/R408O-N-0FI/AAAAAAAAAFE/VCfxLpDL1Q8/s400/calendario.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5155843376326561874" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Metade de janeiro, já. Será que ainda dá tempo de desejar feliz ano novo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando sobre o que postar, resolvi publicar meu balanço de fim de ano. Então lá vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;o que fiz de realmente importante em 2007:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;dei espaço para que as caídas de ficha do final de 2006 [ leia (ou releia) &lt;a href="http://vedevegano.blogspot.com/2007/08/ficha.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; ] seguissem naturalmente seu curso interno e operassem as mudanças externas no meu comportamento cotidiano&lt;/li&gt;&lt;li&gt;consumi menos&lt;/li&gt;&lt;li&gt;li e me informei mais&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;o que não fiz de realmente importante em 2007:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;exercício físico&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;o que quero fazer de realmente importante em 2008:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;óculos novos&lt;/li&gt;&lt;li&gt;injeção de B12&lt;/li&gt;&lt;li&gt;consumir menos&lt;/li&gt;&lt;li&gt;ler mais&lt;/li&gt;&lt;li&gt;exercício físico&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;A todos que andaram aqui pelo blog visitando e comentando (por escrito ou pessoalmente), meu superobrigado pela atenção e carinho. Valeu demais a troca de idéias, espantos e risadas.&lt;br /&gt;No mais, desejo de coração que este ano seja bacaníssimo para todos os habitantes sencientes deste trepidante planeta: menos sofrimento e mais liberdade. E especialmente para nós, animais humanos: mais lucidez e compaixão, sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijo grande e feliz 2008!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-6264018421519594322?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/6264018421519594322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=6264018421519594322&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/6264018421519594322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/6264018421519594322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2008/01/adeus-ano-velho-feliz-ano-novo.html' title='Adeus ano velho, feliz ano novo'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/R408O-N-0FI/AAAAAAAAAFE/VCfxLpDL1Q8/s72-c/calendario.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-167234209035563658</id><published>2007-11-17T14:06:00.001-02:00</published><updated>2008-11-18T03:46:13.639-02:00</updated><title type='text'>Abrace a Amazônia pelo fim do desmatamento</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Rz8c70MB95I/AAAAAAAAAE8/-JMxAXT3xvs/s1600-h/corrente-green.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 5px 10px 0px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 430px; height: 257px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Rz8c70MB95I/AAAAAAAAAE8/-JMxAXT3xvs/s400/corrente-green.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5133853914172618642" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) divulga seu quarto relatório, com notícias ainda piores sobre a velocidade das transformações climáticas causadas pelo aquecimento global, o Greenpeace Brasil promove uma ciberação de abraço virtual na Amazônia, com texto endereçado ao presidente Lula pedindo pela redução a zero do desmatamento até 2015. Basta entrar no site e se integrar à corrente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Participe: &lt;a href="http://www.greenpeace.org.br/desmatamentozero/" target="_blank"&gt;http://www.greenpeace.org.br/desmatamentozero/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[ o site do IPCC você acessa &lt;a href="http://www.ipcc.ch/" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt; ]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-167234209035563658?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/167234209035563658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=167234209035563658&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/167234209035563658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/167234209035563658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2007/11/abrace-amaznia-pelo-fim-do-desmatamento.html' title='Abrace a Amazônia pelo fim do desmatamento'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Rz8c70MB95I/AAAAAAAAAE8/-JMxAXT3xvs/s72-c/corrente-green.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-4852981825148085037</id><published>2007-11-14T19:44:00.000-02:00</published><updated>2008-11-18T03:46:13.821-02:00</updated><title type='text'>Assimetria</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RzuOBEMB92I/AAAAAAAAAEk/OIDtFA0z-GM/s1600-h/valeverde.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 0px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RzuOBEMB92I/AAAAAAAAAEk/OIDtFA0z-GM/s400/valeverde.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5132852349274027874" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Acabo de ler o ótimo livro de Carlos Michelon Naconecy, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ética e Animais&lt;/span&gt; (EDIPUCRS, 2006), que tem como subtítulo "um guia de argumentação filosófica" e trata, basicamente, disso: elencar as justificativas mais comuns que sustentam o pensamento dominante de exploração dos animais e quais são os contra-argumentos éticos correspondentes, caso a caso. Uma rápida noção introdutória sobre ética (filosofia para não-filósofos e tipos de teorias éticas) abre o volume, e a descrição sucinta das principais vertentes da defesa dos animais o completa. Pena o autor não citar, nem como sugestão de leitura, os textos de Gary Francione, especialmente a crítica à abordagem bem-estarista que surge das brechas deixadas pelo utilitarismo de Peter Singer, mas esse assunto por si só – quem sabe? – pode render um outro livro inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da leitura, feita num só fôlego, saí com a sensação muito concreta da enorme assimetria entre a defesa do direito ao bife e a defesa do direito do boi. Os argumentos colocados tão didaticamente lado a lado fazem a delícia de quem aprecia exercícios lógicos, mas fazem mais: redundam, por diversos caminhos, a divergência básica das motivações que estão por trás de uma e outra posição. A questão-chave colocada pelo ativismo dos direitos animais é bastante enxuta: a afirmação de que devemos incluir os animais não-humanos no círculo da comunidade moral atualmente contemplada pelas nossas preocupações éticas. Quem defende o direito ao bife responde a isso dizendo: "Não."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, você sabe e eu sei que a maior parte das pessoas que defendem seu bife não se acredita deliberadamente vetando considerações de cunho ético sobre o boi. Talvez porque não haja consciência de que uma coisa está implicada na outra, e um bom exemplo recorrente é a revolta espontânea contra maus-tratos sofridos pelos animais. Recentemente a mídia nacional reproduziu a reportagem do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jornal do Almoço&lt;/span&gt;, um dos programas de TV mais antigos e mais vistos no Rio Grande do Sul, sobre as "corridas de bois de canga" na fazenda do pai do prefeito de Vale Verde, interior do estado. A começar pelas apresentadoras do programa, todos se mostraram "chocados" porque os bois (na verdade, touros), durante a competição em que ficavam presos à canga, além de tudo eram cutucados com uma vara que tinha pregos na ponta. A matéria da TV mostrou com nitidez um fiapo de sangue escorrendo do corpo de um deles. Bom, só de lembrar que a maioria dos gaúchos assistiu a essa reportagem enquanto almoçava provavelmente alguma comida à base de carne, é de causar espanto que alguém tenha se espantado... Um fio de sangue e o uso dos animais para jogatina são ocorrências mais que suficientes para condenar a todos os envolvidos nessa crueldade, mas de onde vem e por qual processo as pessoas imaginam que o bife se materializa nos seus pratos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não precisamos de varas com pregos, o bife cotidiano já é a negação do visto de entrada do boi na comunidade moral; a partir disso, qualquer consternação pelos maus-tratos sofridos pelo animal vai ser necessariamente fruto de ignorância, incoerência ou cinismo. Diz Naconecy:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nós pressentimos os inconvenientes que uma ética para os animais traria para nossos interesses, uma vez que, obviamente, os interesses dos membros de qualquer grupo são mais bem atendidos mantendo o tamanho desse grupo reduzido."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor segue citando Dale Jamieson:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quanto maior for a participação na comunidade dos iguais, menores serão os benefícios que recebem seus membros. Essa é, em parte, a razão pela qual tem havido uma resistência histórica à ampliação do círculo da preocupação moral. As elites da sociedade têm resistido à reclamação de igualdade por parte das classes inferiores; os homens têm resistido às reclamações das mulheres, e os brancos têm oferecido resistência às reivindicações dos negros. A perda de vantagens injustas é parte do custo da vida em uma sociedade moralmente bem-ordenada, mas é típico que os que têm que pagar por esse custo tratem de evitá-lo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis a assimetria: os discursos da defesa do bife e da defesa do boi falam fundamentalmente sobre como devemos nos comportar, mas enquanto a motivação deste último se baseia na ampliação da visão que passa a enxergar no boi um Outro, os que defendem seu bife estão apenas fazendo isso mesmo: tratando de garantir "o seu", não importa o quanto levantem as sobrancelhas diante de uma matéria chocante na TV em plena hora do almoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[ a imagem que ilustra o post foi retirada da matéria do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jornal do Almoço&lt;/span&gt;, que você pode conferir &lt;a href="http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=1&amp;amp;contentID=5473&amp;amp;channel=49" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;; a citação de Naconecy está na página 67, onde também está o trecho de Jamieson citado pelo autor (que você pode ler, na íntegra e em inglês, &lt;a href="http://www.animal-rights-library.com/texts-m/jamieson02.htm" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;) ]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-4852981825148085037?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/4852981825148085037/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=4852981825148085037&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/4852981825148085037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/4852981825148085037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2007/11/assimetria.html' title='Assimetria'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RzuOBEMB92I/AAAAAAAAAEk/OIDtFA0z-GM/s72-c/valeverde.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-140180024147925758</id><published>2007-11-06T17:18:00.000-02:00</published><updated>2008-11-18T03:46:14.289-02:00</updated><title type='text'>Deslocar para não sair do lugar</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RzCigHlaBnI/AAAAAAAAAEM/HBXQn8A82no/s1600-h/cao1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 430px; height: 237px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RzCigHlaBnI/AAAAAAAAAEM/HBXQn8A82no/s400/cao1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5129778648250451570" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Recebi um e-mail da Lut repassando a notícia de que um artista plástico costa-riquenho apresentou o seguinte trabalho numa exposição: um cão de rua, esquálido e doente, foi amarrado num canto da galeria e ali ficou, sem que lhe dessem água nem comida, até morrer. Em seguida se conta que esse mesmo artista foi um dos escolhidos para representar seu país na Bienal Centroamericana Honduras 2008, e se conclama o leitor a assinar uma petição pelo boicote à sua presença no evento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui checar a informação na Internet e há de fato muito material sobre o assunto, diversos blogs comentado o caso e, claro, com as pessoas reagindo indignadamente. Com toda razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RzCjzXlaBoI/AAAAAAAAAEU/V9RJA8-N5Ko/s1600-h/cao2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 430px; height: 306px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RzCjzXlaBoI/AAAAAAAAAEU/V9RJA8-N5Ko/s400/cao2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5129780078474561154" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A exposição ocorreu em Manágua, e a matéria de 4 de outubro do jornal &lt;span style="font-style: italic;"&gt;La Nación&lt;/span&gt;, da Costa Rica, conta como foi. Transcrevo abaixo algumas partes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"El artista costarricense Guillermo Vargas, más conocido como &lt;i&gt;Habacuc&lt;/i&gt; , está envuelto en una gran polémica debido a la muerte de un perro callejero dentro de &lt;i&gt;Exposición N° 1&lt;/i&gt; , muestra que se realizó en agosto pasado en Managua (Nicaragua). [...]&lt;br /&gt;Como parte de su exposición, el artista enfrentó al espectador a un perro callejero flaco, enfermo y con hambre amarrado a la esquina de la sala. Él capturó al animal en un barrio pobre de Managua.  El perro murió tras un día en la exposición [...]. La muestra también incluyó la frase, escrita con alimento de perro, 'Eres lo que lees' [...]"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artista, que deu ao cão o nome de Natividad, disse que o trabalho era uma homenagem a Natividad Canda, nicaragüense que morreu após ter sido atacado por dois cães rottweiler. Segue a matéria:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"'Me reservo decir si es cierto o no que el perro murió. Lo importante para mí era la hipocresía de la gente: un animal así se convierte en foco de atención cuando lo pongo en un lugar blanco donde la gente va a ver arte pero no cuando está en la calle muerto de hambre. Igual pasó con Natividad Canda, la gente se sensibilizó con él hasta que se lo comieron los perros', explicó .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incluso agregó: 'Nadie llegó a liberar al perro ni le dio comida o llamó a la policía. Nadie hizo nada'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al ser cuestionado acerca de si alimentó al animal o no, el artista se negó a responder.¿Por qué no usó otro medio de expresión? 'Recojo lo que miro... El perro está más vivo que nunca porque sigue dando qué hablar', dijo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São Francisquinho de Assis, valei-nos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomado como obra artística, esse exercício de crueldade é fraco "do primeiro ao quinto", numa expressão antiga que meu pai gostava de usar. Quase não há o que falar a respeito, mas para não passar batido quero apontar apenas a falha óbvia: o artista pretende denunciar a hipocrisia do público que só "vê" o cão quando este está deslocado da rua, mas para efetivar sua denúncia tem de incorrer em hipocrisia igual ou pior: acaso ele vê o cão de maneira tão distinta assim? Ele se exime de dizer se a sua atitude de deixar o cão à morte é certa ou errada, mas propõe que o público seja julgado. Mas de onde, de que planeta esse sujeito está falando? Quem ele pensa que é? Apesar de se acreditar diferente "de la gente", já que ungido de justificativa artística, o discurso pretendido só faz desmoronar sobre si mesmo. Não há crítica nem julgamento, o que há é redundância, uma oitava acima. Ele vai em busca do desgraçado num bairro pobre de Manágua (onde para capturá-lo contou com a ajuda de cinco meninos, a quem deu um troquinho), e desde antes está prevendo o próprio trabalho, a instalação na galeria, como será a reação das pessoas, etc. Vê tudo no processo, menos o cão. Argumentar que ninguém fez nada para tirar o animal daquela situação é de uma falta de preparo intelectual que denuncia o artista sem estofo, e de um cinismo que só esclarece o ser humano profundamente perdido em autocentramento. O cão não está mais vivo agora porque segue dando o que falar, é o contrário: falam dele agora justamente porque está morto. Quem parece estar "mais vivo" depois disso é o assassino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RzCn2XlaBpI/AAAAAAAAAEc/Kfvs0UIDIZo/s1600-h/cao3.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 430px; height: 286px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RzCn2XlaBpI/AAAAAAAAAEc/Kfvs0UIDIZo/s400/cao3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5129784528060679826" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;De resto, galerias e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;vernissages&lt;/span&gt; à parte, o que sobra é bem simples: a energia gasta para achar e capturar o cão adoentado e faminto poderia ter sido usada para tentar encontrar uma melhor condição de vida para ele. Até a indiferença mais brutal teria sido menos danosa do que o olhar arrogante que identificou naquele ser um objeto útil para um fim alheio e contrário ao seu mais básico e legítimo interesse: viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que seria, realmente, ver o cão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do ponto de vista antiespecista, toda a crueldade cometida contra o pobre cão tem como gerador o fato de ter sido tratado como objeto passível de ter dono. Por não ter dono foi livremente capturado das ruas, e então por ter dono deixaram que ficasse à mercê da vontade deste, esperando a morte numa galeria de arte. Todas as outras discussões são acessórias a esse fato central.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a crueldade "desnecessária" do artista infeliz para com o cão que detona nossa indignação instantânea, mas não faltam crueldades equivalentes contra animais não-humanos embutidas nas nossas atividades humanas mais cotidianas. Se é possível discutir a partir desse episódio triste algo como "o que é arte" e qual deve ser o limite dessa atividade humana tão nobre, devemos lembrar que também é possível discutir "o que são as necessidades humanas" de companhia, alimentação, vestuário, entretenimento, pesquisa científica, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabemos todos, ainda que instintivamente, que não há atividade humana, por mais nobre, que prescinda de um comportamento humanamente responsável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respondi ao e-mail da Lut dizendo a ela (pela centésima vez) uma citação de Clarice Lispector: "Quanto a escrever, mais vale um cachorro vivo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[ as fotos foram tiradas de um blog que documenta a exposição, que você vê &lt;a href="http://elperritovive.blogspot.com/" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;; a matéria do jornal &lt;span style="font-style: italic;"&gt;La Nación&lt;/span&gt; você lê &lt;a href="http://www.nacion.com/ln_ee/2007/octubre/04/aldea1263590.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;; a petição para o boicote à participação do artista na Bienal Centroamericana Honduras 2008 pode ser assinada &lt;a href="http://www.petitiononline.com/13031953/petition.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt; ]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-140180024147925758?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/140180024147925758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=140180024147925758&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/140180024147925758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/140180024147925758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2007/11/deslocar-para-no-sair-do-lugar.html' title='Deslocar para não sair do lugar'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RzCigHlaBnI/AAAAAAAAAEM/HBXQn8A82no/s72-c/cao1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-8835270176272507476</id><published>2007-10-20T11:59:00.002-02:00</published><updated>2008-11-18T03:46:14.545-02:00</updated><title type='text'>Palavras de centauro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RxpdyqqXEMI/AAAAAAAAAEE/mAlArVsIXuM/s1600-h/medeia.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 5px 0px 15px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 440px; height: 244px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RxpdyqqXEMI/AAAAAAAAAEE/mAlArVsIXuM/s400/medeia.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5123510651114164418" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Medéia&lt;/span&gt;, filme de Pier Paolo Pasolini de 1969, fala da sobrevivência de aspectos bárbaros no mundo civilizado, e as conseqüentes tensões disso. Pasolini afirmava que "barbárie" era a palavra que mais amava, e o sentido aqui para o termo é o da percepção mágica da natureza, primitiva e pré-civilizada, em contraposição ao pragmatismo burguês da sociedade de consumo. Sobre o filme, diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Medéia&lt;/span&gt; é a confrontação do universo arcaico, hierático, clerical com o mundo de Jasão, mundo ao contrário racional e pragmático. Jasão é o herói atual (a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mens momentanea&lt;/span&gt;) que não somente perdeu o sentido metafísico como nem mais se coloca questões dessa ordem. É o 'técnico' abúlico, cuja procura é unicamente dirigida para o sucesso."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há duas seqüências primorosas em que o sábio Quíron (no mito original e na peça de Eurípedes, mas apenas "o centauro" no filme) fala sobre o passado pré-civilizado e a herança deixada por ele. Na primeira, enquanto Jasão cresce sob a proteção do centauro, este lhe diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Tudo é santo, tudo é santo, tudo é santo. Não há nada de natural na natureza, meu rapaz. Guarde isto na memória: quando a natureza parecer natural a você, tudo terá acabado, e começará uma outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jasão se torna adulto e deve retomar o reino que foi usurpado de seu pai por seu tio, mas para isso este lhe impõe o cumprimento de algumas tarefas, entre as quais recuperar o velocino de ouro. Na busca pelo velocino numa terra bárbara e distante encontra Medéia, que, além de ajudá-lo na tarefa, deixa seu mundo pré-civilizado por amor a ele.  Os dois ficam juntos e seguem para Corinto, mas a certa altura ele está prestes a abandoná-la para ficar com Gláucia, filha do rei, Creonte. Nesse momento reencontra o centauro, e o diálogo dessa segunda seqüência é:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Jasão!&lt;br /&gt;— Como veio parar aqui? Como veio parar aqui?&lt;br /&gt;— Voce quer dizer como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;viemos&lt;/span&gt; parar aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade  o centauro se apresenta duplicado, na sua forma original (meio homem, meio cavalo) e na forma humana, civilizada. Ao perceber isso, Jasão diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Mas é uma visão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao que o centauro humanizado responde:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Se for, é você que a está produzindo. De fato, nós dois estamos dentro de você.&lt;br /&gt;— Mas eu conheci um só  centauro.&lt;br /&gt;— Não, você conheceu dois: um sagrado, quando você era criança, e um profano, quando você se tornou adulto. Mas tudo que é sagrado permanece junto à sua nova forma profana. E aqui estamos nós, um ao lado do outro.&lt;br /&gt;— Mas qual é a função do velho centauro, aquele que conheci quando menino e que você, novo centauro – se bem compreendi – substituiu não fazendo-o desaparecer, mas tomando o lugar dele?&lt;br /&gt;— Ele, naturalmente, não fala, porque a sua lógica é tão diferente da nossa que não se poderia entender. Mas eu posso falar por ele. É sob o signo dele que você, para além de seus cálculos e de sua interpretação, na verdade ama Medéia.&lt;br /&gt;— Eu amo Medéia...?&lt;br /&gt;— Sim. E não tem piedade dela, que compreende sua catástrofe espiritual, sua desorientação de mulher antiga num mundo que ignora tudo aquilo em que ela sempre acreditou. A pobrezinha passou por uma conversão ao contrário, e nunca mais foi como antes.&lt;br /&gt;— E de que me serve saber disso tudo?&lt;br /&gt;— De nada. É a realidade.&lt;br /&gt;— E você, por que razão me diz isso?&lt;br /&gt;— Porque nada poderia impedir ao velho centauro de inspirar sentimentos. E a mim, novo centauro, de expressá-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de perturbado pelo encontro, Jasão dá seguimento a seus planos de casar com a filha do rei e a tragédia se consuma. Medéia em fúria causa a morte de Gláucia, de Creonte e dos dois filhos que tivera com Jasão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pasolini já falava nessa época do ritmo acelerado com que o Terceiro Mundo (e o que havia sobrado de "camponês" na Europa) se encaminhava para o neocapitalismo. Havia chegado a era do triunfo da lógica do consumo e do bem-estar, e o decorrente abandono de um sentido de sagrado cuja linguagem não dominamos mais. Um velho centauro para nós agora mudo, mas justaposto a um novo centauro que – felizmente – fala a nossa língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[ &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Medéia&lt;/span&gt; foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, e a imagem que ilustra o post é a cena em que o centauro aparece duplicado a Jasão; a citação em que Pasolini comenta o filme foi retirada da página 119 de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;As últimas palavras do herege: entrevistas com Jean Duflot&lt;/span&gt;, editado pela Brasiliense em 1983 ]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-8835270176272507476?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/8835270176272507476/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=8835270176272507476&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/8835270176272507476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/8835270176272507476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2007/10/palavras-de-centauro.html' title='Palavras de centauro'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RxpdyqqXEMI/AAAAAAAAAEE/mAlArVsIXuM/s72-c/medeia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-2015254808160572919</id><published>2007-10-10T17:40:00.000-03:00</published><updated>2008-11-18T03:46:14.714-02:00</updated><title type='text'>Feitiços e feiticeiros</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Rw1BKhLGrqI/AAAAAAAAAD8/wa0_7GZV3i8/s1600-h/mickey.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 0px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Rw1BKhLGrqI/AAAAAAAAAD8/wa0_7GZV3i8/s400/mickey.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5119820000349564578" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Deu na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Época&lt;/span&gt; on-line: as plantações argentinas de soja transgênica estão sendo atacadas por uma erva daninha que consegue resistir ao herbicida usado, o glifosato. A soja plantada foi geneticamente modificada para resistir ao glifosato, que uma vez aplicado passaria então a eliminar as outras espécies que competem com ela, aumentando a produtividade por hectare. Talvez o gene resistente ao herbicida tenha migrado da soja para a erva daninha, ou talvez esta tenha apenas naturalmente se adaptado a ele, mas o fato irônico é que agora:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A propagação dessa erva daninha resistente poderá aumentar os custos de produção agrícola na Argentina entre US$ 160 milhões e US$ 950 milhões por ano [...]. Combater a praga exigirá o uso de 25 milhões de litros de outro herbicida todos os anos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, o lucro almejado virou despesa extra compulsória. Na Argentina, 98% das plantações de soja são de sementes transgênicas desenvolvidas pela Monsanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[ a matéria você lê &lt;a href="http://www.blogdoplaneta.globolog.com.br/#419341" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt; ]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-2015254808160572919?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/2015254808160572919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=2015254808160572919&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/2015254808160572919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/2015254808160572919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2007/10/feitios-e-feiticeiros.html' title='Feitiços e feiticeiros'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Rw1BKhLGrqI/AAAAAAAAAD8/wa0_7GZV3i8/s72-c/mickey.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-3171089844497363730</id><published>2007-09-29T11:01:00.000-03:00</published><updated>2008-11-18T03:46:15.496-02:00</updated><title type='text'>Aula de matemática e de...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Rv54PTVbFDI/AAAAAAAAADM/MFsTvx2rHlE/s1600-h/aula-nutricao.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 0px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Rv54PTVbFDI/AAAAAAAAADM/MFsTvx2rHlE/s400/aula-nutricao.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5115658431022961714" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crescimento da produção anual mundial:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;carnes&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;1999/2001 = 229 milhões de toneladas;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;2050      = 465 milhões de toneladas.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;laticínios&lt;ul&gt;&lt;li&gt;1999/2001 = 580 milhões de toneladas;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;2050      = 1 bilhão e 43 milhões de toneladas.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Rv54jTVbFEI/AAAAAAAAADU/pXF1Zru8eoE/s1600-h/aula-geografia.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 0px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Rv54jTVbFEI/AAAAAAAAADU/pXF1Zru8eoE/s400/aula-geografia.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5115658774620345410" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocupação da terra:&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;30% da superfície terrestre estão destinados à criação de gado (principalmente pastagens);&lt;/li&gt;&lt;li&gt;33% da superfície cultivável estão destinados ao cultivo de forragem;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;70% do desflorestamento amazônico devem-se à criação de áreas de pastagem.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Rv55ZzVbFFI/AAAAAAAAADc/H8lNKDzfW80/s1600-h/aula-quimica.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 0px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Rv55ZzVbFFI/AAAAAAAAADc/H8lNKDzfW80/s400/aula-quimica.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5115659710923215954" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pecuária é responsável por:&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;9% das emissões de CO2 procedentes de atividade humana;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;65% das emissões de óxido nitroso (que  no efeito estufa  é 296 vezes mais danoso do que o CO2);&lt;/li&gt;&lt;li&gt;37% das emissões de metano (que no efeito estufa é 23 vezes mais danoso do que o CO2);&lt;/li&gt;&lt;li&gt;64% do amoníaco (que contribui com a formação de chuva ácida).&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Rv55zDVbFGI/AAAAAAAAADk/cImhTj4x6Jg/s1600-h/aula-biologia.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 0px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Rv55zDVbFGI/AAAAAAAAADk/cImhTj4x6Jg/s400/aula-biologia.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5115660144714912866" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;20% da biomassa animal terrestre são constituídos de animais de criação (carne e leite). O impacto da ocupação de terra destinada ao gado e cultivo de forragem é responsável direto pela perda de biodiversidade em 24 ecossistemas importantes, dos quais 15 já se encontram ameaçados.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Rv56AzVbFHI/AAAAAAAAADs/_KjsHyDxCDo/s1600-h/aula-responsabilidade.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 0px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Rv56AzVbFHI/AAAAAAAAADs/_KjsHyDxCDo/s400/aula-responsabilidade.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5115660380938114162" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;A atividade pecuária contribui mais com o aumento do efeito estufa do que a emissão de poluentes dos meios de transporte. &lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[ dados da FAO (Food and Agriculture Organization), das Nações Unidas, cujo relatório é tema da matéria "Pecuária é séria ameaça ao meio ambiente", que você lê &lt;a href="http://www.fao.org/newsroom/en/news/2006/1000448/" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt; (em inglês) e &lt;a href="http://www.fao.org/newsroom/es/news/2006/1000448/index.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt; (em espanhol). O documento completo, "Livestock's long shadow", você encontra &lt;a href="http://www.fao.org/docrep/010/a0701e/a0701e00.htm" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt; ]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-3171089844497363730?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/3171089844497363730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=3171089844497363730&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/3171089844497363730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/3171089844497363730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2007/09/aulinha-de-matemtica-e-de.html' title='Aula de matemática e de...'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Rv54PTVbFDI/AAAAAAAAADM/MFsTvx2rHlE/s72-c/aula-nutricao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-4497979155192518654</id><published>2007-09-22T14:36:00.000-03:00</published><updated>2008-11-18T03:46:15.664-02:00</updated><title type='text'>Ver para crer</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RvwqZzVbFBI/AAAAAAAAAC8/z-6F1oDJO4M/s1600-h/artico.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 0px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RvwqZzVbFBI/AAAAAAAAAC8/z-6F1oDJO4M/s400/artico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5115009899551200274" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;"Imagem divulgada pela Nasa mostra que o degelo do oceano Ártico quebrou todos os recordes e encolheu neste ano mais de 1 milhão de quilômetros quadrados." (UOL, 22/09/2007)&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[ foto: Reuters/Nasa ]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-4497979155192518654?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/4497979155192518654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=4497979155192518654&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/4497979155192518654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/4497979155192518654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2007/09/ver-para-crer.html' title='Ver para crer'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RvwqZzVbFBI/AAAAAAAAAC8/z-6F1oDJO4M/s72-c/artico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-1925185615494544960</id><published>2007-09-21T19:24:00.001-03:00</published><updated>2008-11-18T03:46:15.784-02:00</updated><title type='text'>O prazer da carne</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RvRCNzVbE7I/AAAAAAAAACs/VlN6ZT_MUU0/s1600-h/grego.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 0px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 180px; height: 252px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RvRCNzVbE7I/AAAAAAAAACs/VlN6ZT_MUU0/s400/grego.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5112784281858151346" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Está na &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Princ%C3%ADpio_de_prazer" target="_blank"&gt;Wikipédia&lt;/a&gt;: "Na psicanálise de Sigmund Freud, o princípio de prazer é o desejo de gratificação imediata. Tal desejo conduz o indivíduo a buscar o prazer e evitar a dor. O princípio de prazer opõe-se ao princípio de realidade, o qual caracteriza-se pelo adiamento da gratificação. Faz parte do amadurecimento normal do indivíduo aprender a suportar a dor e adiar a gratificação. Ao fazer isso o indivíduo passa a reger-se menos pelo princípio de prazer e mais pelo princípio de realidade."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com Freud abrindo o post, não há como não acabar falando em sexo: puro sexo instintivo, bem básico, bem natural, descomplicado e gostosamente burro, sexo selvagem, sexo como princípio-de-tudo e onde tudo-é-permitido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso existe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não conheço, e duvido que você conheça. Tem assim de vez em quando uns fiapos, uns ecos distantes de alguma coisa antiga, ancestral, uma pulsação nos conectando diretamente com o primeiro hominídeo bípede, ou mesmo com nosso primeiro parente sexuado. Mas isso são resquícios, ilhotas primitivas que afloram num oceano de conceituações e, inevitavelmente, problematizações. Veja só, logo o sexo, o prazer mais fundamental, tão sujeito a complicações. O básico dos básicos vira arena para todo tipo de questionamentos, hierarquias, legislações e, claro, moralidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí eu pergunto: o que você acha da prostituição infantil no litoral nordestino? Antes de fechar a questão com uma exclamação indignada, pense bem no atrativo turístico desse mercado, nas divisas em dólar e euro deixadas no comércio local, no sustento dos empregos nas companhias de aviação, agências de viagem, restaurantes, etc., etc., etc. Pense também no prazer indubitável do gringo americano ou europeu alucinado pela brasileirinha de 12 anos: como, afinal, condená-lo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hein? Tô falando em pedofilia? Tô defendendo a pedofilia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Defendendo, não, mas falando, sim. A palvra vem do grego &lt;span style="font-style: italic;"&gt;paidophilia&lt;/span&gt;, uma junção de "criança" e "amizade" (nesse caso, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;atração por&lt;/span&gt;). Os mesmos gregos antigos que, ao contrário da crença generalizada, não eram a favor da homossexualidade entre parceiros da mesma faixa etária, mas tinham, isso sim, em grande conta pedagógica a convivência homoerótica masculina entre um adulto (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;erastes&lt;/span&gt;) e um menino pré-púbere (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;eromenos&lt;/span&gt;). Altamente hierarquizada e protocolar, a relação entre o rapazinho e seu amigo adulto os mantinha ligados até que o buço surgisse naquele, quando as primeiras manifestações do corpo de homem faziam com que ele deixasse de ser desejável aos olhos do mais velho. Mas antes disso, muita conversa, jogos, educação política e filosófica e, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;last but not least&lt;/span&gt;, coito intercrural, que ninguém é de ferro. Com a chegada da barba, era a vez do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;eromenos &lt;/span&gt;se transformar em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;erastes&lt;/span&gt; e buscar para si um jovenzinho atraente. Era assim entre os cidadãos livres: o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;erastes&lt;/span&gt; obtinha gratificação erótica na beleza e juventude florescente do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;eromenos&lt;/span&gt;&lt;span&gt;,&lt;/span&gt; para quem era uma honra despertar o interesse do homem mais velho,  significando a garantia da educação mais completa que se podia ter então.&lt;br /&gt;O incrível é que os gregos forneceram a base sobre a qual os romanos construíram, entre tantas coisas, a sua legislação, a noção de justiça e legalidade da qual somos herdeiros diretos, e que usamos hoje para colocar atrás das grades qualquer adulto que se atreva a ter contato sexual com menores. Os gregos também nos legaram os fundamentos da medicina ocidental, e hoje a pedofilia é item do CID (Catálogo Internacional de Doenças, da Organização Mundial de Saúde). É provável que Platão se escandalizasse ao ver o turista assediando a menina no calçadão da praia, mas certamente devido ao fato de se tratar de uma menina. Fosse um moleque, à chegada da polícia e diante da cena do gringo algemado, Platão diria em bom dialeto ático: "Ué, gente, o que é que tem de mais?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas este mundo dá voltas, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando a partir do ponto de vista do sujeito ativo da ação, pessoalmente não tenho a menor atração por coisas e pessoas infantis, mas mesmo assim devo entender que um homem adulto pode se sentir internamente justificado a ponto de cruzar o oceano e se arriscar a ser preso, pouco importando se damos ou não a isso o nome de doença e crime. É o princípio de prazer gritando dentro dele, e o erro fundamental aqui é ter nascido na época e/ou sociedade errada. Outro tempo e outro lugar, crime e doença desapareceriam como que por encanto, e nem precisava ser na Grécia clássica: pouco mais de cem anos atrás, um senhor branco fazia o que queria com a menina escrava sob inteira tutela da lei, e longe da esfera da doença (pelo contrário: o defloramento de negrinhas virgens era tido como remédio certeiro contra a sífilis). Agora, lembrando que existe a outra ponta que é vítima dessa ação, eu continuo entendendo que esse homem tem seu desejo, mas no que depender de mim ele não terá a mínima chance de fazer qualquer coisa com qualquer menor de idade. Por maiores que sejam os benefícios colaterais em dólar ou euro, sabemos que a menina tem de estar em outro lugar que não as calçadas da prostituição, e ponto. Isso está baseado no que entendemos hoje por direitos da infância e deveres dos adultos. É o princípio de realidade do nosso aqui e agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra quem gosta de explicações naturalistas para os comportamentos, aproveito para lembrar que entre os golfinhos, nossos parentes inteligentíssimos e de organização social complexa, é comum que indivíduos adultos se masturbem usando o corpo dos mais jovens. Ahá! Quem sabe aqueles gregos sofisticados esfregando os genitais entre as coxas dos meninos não estavam simplesmente dando vazão a um imperativo biológico absolutamente natural?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, claro que não. Sexo totalmente burro, de pura corporalidade e isento de conceitualizações já devia ser uma impossibilidade para os pintores de Lascaux, que dirá para os contemporâneos de Platão. Moral da história: os prazeres que buscamos permanentemente nas ações da nossa vida diária nunca são assim tão simples, muito menos naturais e justificáveis apenas "porque sim". Ainda que de vez em quando alguma ilhota de pura fruição primitiva nos lembre de uma ancestralidade não-conceitual, todo o resto é negociação permanente entre os princípios de prazer e realidade, como nos ensina Freud.&lt;br /&gt;Então, da próxima vez que em resposta à evidência do abatedouro você justificar o bife no prato  simplesmente "porque dá prazer", lembre dos gregos antigos, dos golfinhos e dos pedófilos. Trate de colocar em perspectiva prazeres e realidades de uma maneira que contemple todos os termos dessa equação. Lembre da vaca. E da menina prostituída no calçadão à beira-mar também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[ a ilustração é um detalhe de uma figura vermelha ática, c. 530-430 A.C., acervo do Ashmolean Museum, University of Oxford; para saber mais sobre práticas homossexuais gregas, leia &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A homossexualidade na Grécia antiga&lt;/span&gt;, de K. J. Dover, editado pela Nova Alexandria ]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-1925185615494544960?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/1925185615494544960/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=1925185615494544960&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/1925185615494544960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/1925185615494544960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2007/09/o-princpio-de-prazer.html' title='O prazer da carne'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RvRCNzVbE7I/AAAAAAAAACs/VlN6ZT_MUU0/s72-c/grego.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-1822107812135988099</id><published>2007-09-18T16:22:00.000-03:00</published><updated>2008-11-18T03:46:16.018-02:00</updated><title type='text'>O difícil é muito fácil</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RvAgmAmal0I/AAAAAAAAACk/cBuVcyLBT4Y/s1600-h/rubiks-cube.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 0px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 192px; height: 192px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RvAgmAmal0I/AAAAAAAAACk/cBuVcyLBT4Y/s400/rubiks-cube.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5111621414433756994" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O mundo está entupido de produtos de origem animal, nos quais se baseia grande parte do comércio, da indústria, da moda, dos cardápios e dos costumes. São aqueles velhos hábitos na hora de comer, de vestir e, principalmente, na hora de pensar. Aí chega uma informação, uma notícia, um susto – aqui poderiam entrar dezenas de exemplos, mas vou resumir dizendo simplesmente: a certeza de que alguma coisa muito feia, injusta e eticamente condenável acontece aos animais não-humanos para que se sustentem os nossos velhos hábitos de animais humanos. Pode ser o couro da sandalinha hippie ou do estofamento daquele carro "sonho de consumo"; o tapete de ovelha ou a gola de pele no casaquinho de grife; o leite dentro do chocolate ou o queijo importado só para connaisseurs; o xampu em embalagem promocional de meio litro ou o item de maquiagem que custa três dígitos, enfim, não importa se o horror vem embutido no dog com duas salsichas ali da esquina ou se manifesta na carne de javali daquela churrascaria caríssima, o fato é que estamos cercados. Chega a informação da crueldade cometida e imediatamente nos damos conta do quanto estamos dependentes dela. Que difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A negação do aspecto cruel através da objetificação absoluta dos animais (são apenas "coisas") é uma das possibilidades de superação da dificuldade desse cenário, mas poucos entre nós de fato apelam para isso. Por "nós" eu quero me referir aqui aos que temos acesso à Internet e visitamos blogs, é claro. Pois bem, nós costumamos ir um pouco além dessa negação, pois sabemos que animais não são coisas, e nós amamos os animais. Nós somos contra os maus-tratos ao leão de cirquinho pobre do interior. Nós não gostamos de rodeio. Nós achamos cafona quem usa casaco de pele. Nós lemos. Nós sabemos a diferença entre Renascimento e Barroco. Nós fazemos terapia. Nós somos sensíveis, inteligentes, críticos. Um degrau acima dos instintos básicos de quem simplesmente curte a apresentação patética do leão maltratado no circo, temos a tarefa bizarra de compatibilizar a responsabilidade pela crueldade indesculpável com os prazeres resultantes dela. E isso apenas para que as coisas fiquem do jeito que estão. Com uma incrível complexidade lançamos mão de toda a arte e toda a ciência para justificarmos simultaneamente nossa crítica à tourada e nosso elogio ao boi na churrasqueira. Isso sim é que é difícil, e acaba se tornando uma verdadeira acrobacia ética, cujos movimentos desenham o que &lt;a href="http://www.abolitionistapproach.com/" target="_blank"&gt;Gary Francione&lt;/a&gt; bem definiu como "esquizofrenia moral".&lt;br /&gt;Uma vez que tenhamos algum entendimento do outro e alguma noção de responsabilidade, o dispêndio de energia para manter os velhos hábitos no lugar de sempre a despeito das evidências em contrário vai ficando cada vez maior. Permanecer no mesmo ponto significa continuarmos a depender de práticas cruéis cujos responsáveis somos nós, e essa é realmente uma situação difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois então é muito fácil: basta sairmos de onde sempre estivemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[ textos de Gary Francione em que ele fala de esquizofrenia moral, você lê &lt;a href="http://www.abolitionistapproach.com/2007/04/25/vivisection-part-one-the-necessity-of-vivisection/" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.abolitionistapproach.com/2007/08/02/a-note-about-michael-vick/" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.abolitionistapproach.com/2007/08/28/some-further-thoughts-on-michael-vick/" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt; (em inglês) ]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-1822107812135988099?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/1822107812135988099/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=1822107812135988099&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/1822107812135988099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/1822107812135988099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2007/09/o-difcil-muito-fcil.html' title='O difícil é muito fácil'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RvAgmAmal0I/AAAAAAAAACk/cBuVcyLBT4Y/s72-c/rubiks-cube.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-2628645162063671671</id><published>2007-09-02T21:34:00.000-03:00</published><updated>2008-11-18T03:46:16.253-02:00</updated><title type='text'>Em defesa da vaca e de todos nós</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RttW7DG6eJI/AAAAAAAAACc/VtlZDsmzc8o/s1600-h/cego.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px 0px; display: block; text-align: left; cursor: pointer; width: 430px; height: 236px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RttW7DG6eJI/AAAAAAAAACc/VtlZDsmzc8o/s400/cego.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5105770175001163922" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Pieter Bruegel, o Velho. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cego guiando cegos&lt;/span&gt;. 1568.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Este post é uma resposta ao texto publicado na coluna de David Coimbra em 31 de agosto de 2007, no jornal Zero Hora, intitulado "Em defesa da vaca" [que você pode ler &lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/jornais/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&amp;amp;local=1&amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;edition=8366&amp;amp;template=&amp;amp;start=1&amp;amp;section=Colunas+e+Charges&amp;amp;source=a1604281.xml&amp;amp;channel=9&amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;id=&amp;amp;titanterior=&amp;amp;content=&amp;amp;menu=23&amp;amp;themeid=&amp;amp;sectionid=&amp;amp;suppid=&amp;amp;fromdate=&amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;todate=&amp;amp;modovisual=" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt; ].&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Prezado David, mal te conheço. Não sou leitor de Zero Hora, então não acompanho tua coluna. Te vi uma vez ou duas no Café TVCOM e já ouvi teu nome por aí algumas vezes, o suficiente para que eu saiba quem és, mesmo não conhecendo tua escrita. Ontem recebi um e-mail com dois textos rebatendo o que escreveste na última sexta-feira. Entrei no site da RBS e fui atrás da tua coluna. "Em defesa da vaca" é o título. Pois olha, embora já soubesse mais ou menos do que se tratava através dos textos que recebi por e-mail, fiquei muito impressionado com a tua crônica. Eu não entendi, David. Quer dizer, entendo como funciona a lógica de quem não enxerga na questão dos direitos animais qualquer importância. Para alguns nem mesmo de uma questão se trata. Já para mim (e para os castradores de gatos e vegetarianas a que te referes) sim, é um questão e é das mais importantes, mas não te escrevo para debater sobre isso. Te escrevo porque, como disse, não entendi o ponto exato da tua crônica. Não entendi tua motivação, onde colocaste o teu olho de cronista. Não entendi teu humor. Mas entendo que a beleza da crônica, esse gênero tão difícil porque tão cotidiano, tão de pertinho, está justamente no desafio a essa simplicidade. Mesmo sobre o assunto mais banal, o cronista é o sujeito que nos leva junto com ele, nos desloca para que olhemos as velhas coisas com alguma renovação de sentido. O já sabido vira outra coisa, às vezes mais humorada, às vezes mais triste, mais surpreendente, o que seja: o já sabido vira coisa nova em folha porque o cronista nos dá de presente um olhar que acabou também de surgir, em pleno ato da leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Em defesa da vaca" me deu a sensação oposta. Me senti sem ar, envelhecido, triste. O teu olhar de cronista me levou para um lugar conhecido e francamente desinteressante. Sem trocadilhos, um lugar-comum, e não entendi a tua motivação de levar o leitor justo pra esse lugar, não vi graça nenhuma nisso. Sabe por quê, David? Porque a tentativa de humor que há no teu texto está baseada em ignorância. Falas de uma vaca clichê, uma galinha clichê e as tuas considerações sobre "as vegetarianas" e os "castradores de gatos" também são clichê. Falas sobre esse animais e esses humanos como se estivesses num lugar muito distante deles. Como aquele sujeito que ri apontando para o outro, e nunca com o outro. Esse humor grosseiro é comum, óbvio, tem sempre um sujeito assim ali na esquina. A gente não precisa abrir o jornal para encontrá-lo. Deixa eu te lembrar de uma coisa: o pessoal, por exemplo, que se manifestou contrariamente à Expointer certamente já comeu churrasco algum dia. Já comprou um casaco de couro e, quem sabe, é provável mesmo que a gente encontre ali alguém que já achou que estava muito distante dos vegetarianos castradores de gatos. Igualzinho a ti. Mas alguma coisa aconteceu e essa gente hoje protesta em defesa dos direitos animais. Isso não te desperta o mínimo de curiosidade? E tem gente de todo tipo, toda idade, toda inclinação política, toda formação. Uma pergunta, uma consulta ao Google ou à prateleira de qualquer livraria e já saberias da dimensão do que estou falando. Mas, de repente, ficam todos apequenados no teu texto, cabem todos miniaturizados dentro do clichê que escolheste. Essa gente, David, entendeu que num mundo em que convivem vacas, galinhas e humanos tudo é, necessariamente, perto, e há sim inúmeras questões importantes a resolver. O lugar distante em que te acreditas e de onde falas serve, na verdade, pra muito pouca coisa, e é certamente perigoso para um jornalista estar. Para um cronista, então, há de ser o pior lugar do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-2628645162063671671?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/2628645162063671671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=2628645162063671671&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/2628645162063671671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/2628645162063671671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2007/09/em-defesa-da-vaca-e-de-todos-ns.html' title='Em defesa da vaca e de todos nós'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RttW7DG6eJI/AAAAAAAAACc/VtlZDsmzc8o/s72-c/cego.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-4265172748043548172</id><published>2007-08-27T15:41:00.002-03:00</published><updated>2009-01-15T10:15:11.060-02:00</updated><title type='text'>Crianças e crianças</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RtNfMDG6eII/AAAAAAAAACU/csPWxEf1xX8/s1600-h/sadia.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RtNfMDG6eII/AAAAAAAAACU/csPWxEf1xX8/s400/sadia.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103527463338276994" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Meu pai foi criança nos anos 1930, em Rio Grande, no interior do Rio Grande do Sul. Ele contava uma história que ilustra bem a época e o que era ser criança então. Um dia, na casa de uma tia, lhe foi ordenado que fosse até o quintal e matasse uma galinha para o almoço. Ele foi, pegou a pobre pelo pescoço e a girou no ar, em vez de rapidamente desnucá-la. A galinha, claro, não morreu, para extrema aflição dele, e saiu correndo tonta até ser pega pela tia e, aí sim, finalmente morta.&lt;br /&gt;Eu fui criança nos anos 1970, em Porto Alegre. Lembro de assistir uma vez à preparação de uma galinha ao molho pardo, prato de que gostava. Não vi a galinha ser morta, mas presenciei o ritual de deixá-la pendurada de cabeça para baixo, a garganta aberta, sobre uma bacia que recolhia o seu sangue. Depois disso nunca mais voltei a comer galinha ao molho pardo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os quintais hoje (quando há quintal) não têm mais galinheiro e nem as galinhas são trazidas vivas para serem abatidas em casa. Ninguém imagina submeter uma criança a ter que matar um animal e comê-lo depois no almoço, nem acha razoável que assista aos procedimentos sanguinolentos que alguns pratos exigem. É trauma certo para a criancinha, sem dúvida. Estou falando obviamente do contexto urbano; os camponeses têm outro tipo de vida.&lt;br /&gt;Pois o trauma infantil seguramente não era uma preocupação nos anos 1930 e, embora fosse o último grito da psicopedagogia moderninha, nos anos 1970 ainda se supunha razoável deixar uma galinha pingando sangue à vista de todos, inclusive crianças. Mas e hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje vamos ao supermercado e galinha é coisa morta, limpa e devidamente empacotada em partes, assim como o boi, o porco ou qualquer outro animal que se julgue comestível. Fora isso, frango é nugget, boi é steak e porco é bacon, presunto, salsicha. Para cada bicho, zilhões de variadas apresentações, cortes, embutidos, embalagens. Só somos lembrados de como são os animais reais através de uma iconografia infantilóide, como o Franguinho da Sadia que ilustra o início desta postagem: ai, que bonitinho! E dá-lhe vaquinha, porquinho, fazendinha...&lt;br /&gt;Dessa maneira vivemos e passamos adiante para as crianças um mundo do alimento de origem animal cheio de diminutivos felizes, cenários felizes, bichos felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O consumo desses produtos cresceu e se industrializou numa tal proporção que deixaria a tia do meu pai, 70 anos atrás, mais tonta do que a pobre galinha correndo pelo pátio. E como indústria é coisa que não acontece no quintal de casa, ou no playground do prédio, a distância entre produção e consumo final é mais do que suficiente para que aí se interponham todos os filtros. Desde os mitos nutricionais que só mais tarde serão desmentidos discretamente pelo Globo Repórter até a reconceitualização surrealista que transforma animais de abate em bichinhos felizes. A indústria cuida que nós, adultos urbanos, não nos traumatizemos com o lado feio do processo. Somos hoje mais protegidos do que as crianças de 30 ou 70 anos atrás, sistematicamente alienados e desresponsabilizados pelo que escolhemos comer. Um crescimento às avessas, rumo a uma inconseqüência – a respeito de si, dos outros seres e do planeta – sem precedentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai foi tratado como adulto precocemente, enquanto que eu tive a sorte de ter respeitado o meu próprio tempo. Mas só para descobrir, já crescido, que parte do que faz hoje a grande engrenagem girar trabalha para que todos continuemos crianças sem traumas e inconseqüentes, num mundo cheio de diminutivos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-4265172748043548172?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/4265172748043548172/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=4265172748043548172&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/4265172748043548172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/4265172748043548172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2007/08/crianas-e-crianas.html' title='Crianças e crianças'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RtNfMDG6eII/AAAAAAAAACU/csPWxEf1xX8/s72-c/sadia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-3941359975922841548</id><published>2007-08-25T19:29:00.000-03:00</published><updated>2008-11-18T03:46:16.640-02:00</updated><title type='text'>Obscenidades</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RtGjjTG6eFI/AAAAAAAAAB8/m69BCORX1UU/s1600-h/adao_e_eva.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 5px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RtGjjTG6eFI/AAAAAAAAAB8/m69BCORX1UU/s400/adao_e_eva.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103039679607502930" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Sabe a experiência do grão de feijão colocado para brotar no chumaço de algodão molhado? Você a fez, quando estava na escola? Será que ainda fazem isso? Quando eu era pequeno ficávamos só com o grão de feijão, mas sei que atualmente algumas escolas dão noções de agricultura e culinária de verdade, com experiências práticas, e a criançada se diverte muito. Nas calçadas da minha infância, eu via as meninas brincando de comidinha com panelas de plástico colorido, cheias de água e grama, mas hoje os meninos também são incentivados a conhecerem os ingredientes e alquimias da cozinha, ou através da escola ou pelo exemplo dado em casa pelo pai. Com o boom de popularidade que a gastronomia teve nos últimos anos, é notável o número cada vez maior de homens se dedicando ao assunto. Bem legal.&lt;br /&gt;De minha parte fiquei longe de virar um chefe de cozinha, mas aquele grão de feijão brotando quase que por mágica me estimulou mais tarde a usar todo um canteiro no quintal – depois de convencer a minha mãe – para plantar, cuidar, ver crescer, colher e finalmente comer a safra inteira do "meu" feijão. Uma delícia, por sinal. Negociei a seguir um quadrado que abri no meio do gramado, e dali surgiram cenouras e rabanetes, que comi feliz da vida. Então, antes que destruísse o resto do pátio de casa, fui sendo gentilmente convencido a parar com as plantações, uma vez que já sabia como funcionava o processo todo, da semente à comida no prato, por experiência própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comer é tão fundamental que querer saber sobre comida é mesmo inevitável, e o interesse espontâneo das crianças sobre o assunto demonstra isso. As escolas fazem bem em proporcionar a experiência da horta, mas não proporcionam a experiência do abatedouro. Tudo bem que é um tipo de lugar realmente barra-pesada, mas podiam exibir um vídeo e assim cumprir com a obrigação de educar sem precisar expor os alunos ao cheiro nauseante e aos respingos de sangue, e nem isso fazem.  Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que você me condene pela sugestão didática extrema, deixa eu contar mais um episódio de escola. Com 13 ou 14 anos de idade meus colegas e eu fomos submetidos a uma projeção de slides contra o aborto. Se educativo não sei, mas foi certamente coerente, já que se tratava de uma escola católica, de irmãos lassalistas. Os slides traziam imagens fortes, e no que toca a chocar ou não as sensibilidades do público-alvo eram despudoradamente a favor da primeira opção. Quase 30 anos depois, ainda lembro do feto de seis meses abortado, jogado dentro de um balde num hospital norte-americano. Uau. Quem acha que escolas católicas são aborrecidas, que reveja sua opinião!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora eu pergunto de novo: por que não mostrar às crianças como funciona um abatedouro? Aliás, por que não mostrar nem aos adultos como funciona um abatedouro? Você sabe como é lá dentro, ao longo de toda a linha de produção? Eu aposto que não. Ou melhor, sabe sim, mas só o suficiente para não querer saber mais. O suficiente para, provavelmente, achar absurda a idéia de expor uma criança a esse tipo de cena. De certas coisas a gente pode até saber, mas não fala, não vê, não discute. Essas são as coisas obscenas, ou seja, devem permanecer escondidas porque ferem o pudor. Se é chocante ver um animal ser morto, por que é menos chocante ver um pedaço desse animal sendo mastigado em plena hora da refeição? Ou: se é bonito ver alguém atacando com prazer um naco de carne no espeto, por que não é bonito mostrar como foi atacada essa mesma carne um segundo antes de virar coisa morta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que a produção de parte do que comemos é obscena?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se uma criança não pode ver nem saber como é produzida a comida que é colocada no seu prato, então há algo de errado com essa comida. É paradoxal que quanto mais sofisticamos e popularizamos a gastronomia, menos conhecemos de fato do que e como é feito o alimento. Abstrato demais para um dos aspectos fundamentais da vida, como qualquer criança sabe. Com comida a gente deve se relacionar de maneira direta e integral. Despudoradamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-3941359975922841548?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/3941359975922841548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=3941359975922841548&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/3941359975922841548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/3941359975922841548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2007/08/obscenidades.html' title='Obscenidades'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RtGjjTG6eFI/AAAAAAAAAB8/m69BCORX1UU/s72-c/adao_e_eva.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-6560657100271242967</id><published>2007-08-20T21:50:00.000-03:00</published><updated>2008-11-18T03:46:16.840-02:00</updated><title type='text'>Comparações cabíveis</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Rso3azG6eEI/AAAAAAAAAB0/OQA1SV8uj6g/s1600-h/chaplinditador.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 0px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Rso3azG6eEI/AAAAAAAAAB0/OQA1SV8uj6g/s400/chaplinditador.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5100950461485840450" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;É tão freqüente a analogia de racismo, sexismo e escravidão humana com o especismo quanto é freqüente o incômodo de alguns com essa analogia. Animais e pessoas são diferentes, não são? Claro que são. Então comparar essas situações é descabido, não é? Não, não é.&lt;br /&gt;Ainda que animais não-humanos sejam de fato diferentes de nós, os animais humanos, as semelhanças também existem. Claro, a insistência na terminologia "animais humanos e não-humanos" é só para que não esqueçamos o óbvio: a massa de indivíduos de várias espécies com quem compartilhamos nossa existência neste planeta tem muito a ver conosco, desde um parente mais distante, como um mosquito, até o nosso irmão praticamente gêmeo, o chimpanzé. Sabemos instintivamente (como bons animais) disso; sabemos disso também (como bons humanos) através da ciência. Aliás, quanto mais pesquisamos sobre alguns desses parentes, mais descobrimos complexidades que os aproximam de tudo o que julgamos mais caro a respeito de nós mesmos. Até capacidade de altruísmo alguns animais demostram ter, imagina só!&lt;br /&gt;Mesmo assim, as analogias usadas na defesa dos direitos animais nem sempre se baseiam só nessas semelhanças, mas também em outras. Se animais e humanos continuam parecendo irremediavelmente diferentes para você, pense por um outro ângulo: afinal de contas, o que têm em comum um escravo, ou uma mulher oprimida, e um animal subjugado ao interesse humano que possa legitimar essas analogias?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta é simples: são vítimas diferentes de um mesmo tipo de algoz: o sujeito que julga ser seu dono. E esse sujeito é tão próximo, mas tão próximo, que podemos discutir suas ações até colocá-las do avesso, sabendo que isso tem, sem dúvida e sempre, o maior cabimento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-6560657100271242967?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/6560657100271242967/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=6560657100271242967&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/6560657100271242967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/6560657100271242967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2007/08/comparaes-cabveis.html' title='Comparações cabíveis'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Rso3azG6eEI/AAAAAAAAAB0/OQA1SV8uj6g/s72-c/chaplinditador.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-8053047627011326140</id><published>2007-08-18T12:04:00.000-03:00</published><updated>2008-11-18T03:46:16.986-02:00</updated><title type='text'>Sacações</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RshyNjG6eDI/AAAAAAAAABs/_0uVmWfnlWo/s1600-h/anos80.png"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5100452155085191218" style="width: 429px; height: 95px;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RshyNjG6eDI/AAAAAAAAABs/_0uVmWfnlWo/s400/anos80.png" border="0" height="89" width="438" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui um ovo-lacto-vegetariano meia-boca durante mais de 20 anos, e dentro de uma trajetória bastante típica: comecei abolindo a carne vermelha, anos depois parei de comer aves e, há pouco tempo, abri definitivamente mão de peixe, que ainda comia quando "não havia mesmo outra opção". A primeira motivação daquele adolescente no início dos anos 1980 foi a saúde: "cara, a carne vermelha é cheia de adrenalina porque o boi é abatido numas de horror, saca?" (a gente falava mais ou menos assim, eu juro!). Uma coisa que sempre fiz questão de frisar era que a minha opção também era fruto de eu não gostar de carne: "se me desse prazer, não sei se pararia". Esse assunto invariavelmente surgia à mesa, quase sempre em algum ajuntamento festivo e na hora em que o cardápio chegava e começavam as especulações sobre o que pedir, ou quando o primeiro bife era servido. Um amigo avisava ao resto da turma: "ah, o Cleber não come carne, viu?", e lá ia eu explicar pra alguém os meus porquês. Diante dessa recorrência, montei um discurso breve que repetia sempre, o da opção que não mexia no meu prazer, e que tirava logo o foco de cima desse assunto: meu medo maior era de ser identificado imediamente como aquele ecochato empata-foda da diversão gastronômica alheia. Como típico filho dos anos 1960, adolesci querendo o fim da ditadura militar e de todas as ditaduras, e acreditava, sem muito espaço pra discussão, que as minhas opções "cara, não podem interfeir nas opções alheias" (mas achava normal me juntar à massa agitando bandeiras do PT na rua pra, quem sabe, interferir nas opções do eleitor indeciso). Saca?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que ao longo desses mais de 20 anos, e depois de muitas curvas, estendi finalmente a minha noção de prazer para incluir no rol das coisas justas até mesmo o prazer do boi de permanecer vivo, então deixei – internamente – de perceber a minha motivação vegetariana como possível apenas por não interferir no prazer do meu paladar. A essa altura já era mais do que isso. Mas socialmente sempre evitei mencionar a implicação moral positiva de salvar a vida do boi, e nisso permaneci o mesmo adolescente/jovem adulto dos anos 1980: pânico de ser o chatinho da festa, e havia ainda um fiapo de crédito incondicional aos prazeres dos meus irmãos mais próximos, os animais humanos.&lt;br /&gt;Hoje, depois da curva mais abrupta, e que lamento ter chegado só às vésperas dos meus 41 anos, percebo o quanto fui coerente e incoerente bem quando achava ser o oposto. A alienação do aspecto moral na minha vivência vegeteba meia-boca não foi a chave que entendi necessária para ser aceito socialmente, mas sim a condição básica que me permitiu fazer essa negociação, assim como negociar ainda por um tempo o frango e, um pouco mais, o peixe. Se, depois de uns anos, a percepção do aspecto moral já existia e não era trazida integralmente à prática, então a própria percepção não era integral. Eu estava fundamentalmente alienado dessa moralidade, e minhas atitudes e opções foram logicamente pautadas de acordo. Quer dizer, achei por mais de 20 anos que sim, mas, cara, na real eu não estava sacando rigorosamente nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-8053047627011326140?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/8053047627011326140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=8053047627011326140&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/8053047627011326140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/8053047627011326140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2007/08/sacaes.html' title='Sacações'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RshyNjG6eDI/AAAAAAAAABs/_0uVmWfnlWo/s72-c/anos80.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-7085250253797769942</id><published>2007-08-16T14:08:00.000-03:00</published><updated>2007-09-29T13:22:39.743-03:00</updated><title type='text'>Fulano, Beltrano e um jantar sem opções</title><content type='html'>"Opção" é uma palavra fácil da gente usar e fácil também de nos levar a meios-entendimentos. É, em princípio, bacana: implica o reconhecimento da autonomia do sujeito que opta; é democrática, igualitária, respeitosa, relativista, não-sectária... o optante é o fiel de sua própria balança, cheio de poder decisório, autor definitivo de sua história. Entre o roxo e o amarelo, hoje fico com o roxo; se amanhã quiser mudar, quem decide sou eu e apenas eu, pois não cabe nem ao roxo nem ao amarelo optar por mim.&lt;br /&gt;Mas nem todo comportamento, nem toda ação é fruto de opção. Ser honesto, por exemplo, não é exatamente a outra opção possível a ser desonesto: é mais correto dizer que nós não roubamos justamente porque roubar não nos parece ser uma opção. Aqui o fiel da balança não é o sujeito optante, mas um valor ético que o próprio sujeito reconhece como superior ao seu poder individual de escolha.&lt;br /&gt;Analogamente, ser vegano não é exatamente uma opção, mas os não-veganos podem muito bem enxergar nesse sujeito um exercício de "opção vegana", e terão toda razão de se sentirem bacanas, respeitosos e democráticos ao acharem aceitável que, entre o bife e a rúcula, Fulano prefira a rúcula. Mas isso é pouco, e não esclarece sobre o que de fato ocorre "entre o bife e a rúcula" na percepção de Fulano. Cabe aos veganos deixarmos clara a desimportância intrínseca das nossas escolhas quanto ao que comer ou usar, pois são secundárias em relação a um sentido que reconhecemos como maior que nossas opções individuais (nesse caso, o entendimento dos animais como sujeitos de direito). Opção vegana "de verdade" é entre a abobrinha e a rúcula, e o que resulta disso, convenhamos, não tem tanta importância assim. É por causa do reconhecimento desse sentido maior que não podemos retribuir do mesmo jeito a atitude bacana, respeitosa e democrática à – essa sim – opção do Beltrano que escolhe o bife. São hierarquias distintas sentadas à mesma mesa, e querer conciliá-las sob um mesmo discurso simplesmente não funciona. É melhor abrir mais um vinho e conversar diretamente sobre as diferentes fundamentações e conseqüências de cada hierarquia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-7085250253797769942?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/7085250253797769942/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=7085250253797769942&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/7085250253797769942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/7085250253797769942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2007/08/fulano-beltrano-e-um-jantar-sem-opes.html' title='Fulano, Beltrano e um jantar sem opções'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-2873825479921764416</id><published>2007-08-15T10:28:00.000-03:00</published><updated>2008-11-18T03:46:17.158-02:00</updated><title type='text'>Diferenças iguais</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RsL_q5IssaI/AAAAAAAAABk/EE2y-ceijr0/s1600-h/uol-14082007.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5098918840493715874" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RsL_q5IssaI/AAAAAAAAABk/EE2y-ceijr0/s200/uol-14082007.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;"Sul-coreana participa de protesto em Seul, Coréia do Sul, contra o consumo de carne de cachorro no país; parte da sociedade considera o alimento saudável, contrariando as campanhas de ativistas." (UOL, 14/08/2007)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[ foto: Ha Tae-Hwang/AFP ]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-2873825479921764416?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/2873825479921764416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=2873825479921764416&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/2873825479921764416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/2873825479921764416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2007/08/sul-coreana-participa-de-protesto-em.html' title='Diferenças iguais'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RsL_q5IssaI/AAAAAAAAABk/EE2y-ceijr0/s72-c/uol-14082007.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-1506303192033137265</id><published>2007-08-14T11:49:00.000-03:00</published><updated>2008-11-18T03:46:17.287-02:00</updated><title type='text'>A ficha</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RsHX-5IssWI/AAAAAAAAAA8/mzmPd0IDTWg/s1600-h/earthlings.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5098593728649277794" style="" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RsHX-5IssWI/AAAAAAAAAA8/mzmPd0IDTWg/s400/earthlings.gif" border="0" height="55" width="430" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim: recebi um e-mail da Naza convidando para assistir ao documentário &lt;a href="http://www.isawearthlings.com/"&gt;&lt;em&gt;Terráqueos&lt;/em&gt; (Earthlings)&lt;/a&gt;, do diretor Shaun Monson, no auditório do Banco Central, no fim de outubro de 2006. O convite mencionava que o assunto era a dependência dos humanos em relação aos animais e o conseqüente desrespeito que cometemos com eles. Fiquei interessado imediatamente, mas não pude ir, e acabei assistindo depois, junto com o Felipe. De saída a trilha do Moby dá o clima, e aí começam as imagens e a narração do Joaquin Phoenix, encadeando sistematicamente cinco aspectos dessa relação de dependência e desrespeito: o uso de animais para companhia, alimentação, vestuário, entretenimento e pesquisa científica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme – muito bem realizado – é doloroso de se assistir, pra dizer apenas o óbvio, mas é precisamente esse exercício que o torna fundamental e potencialmente transformador: é sempre bom a gente &lt;strong&gt;ver&lt;/strong&gt; as conseqüências do que faz, até o fim. E nesse caso isso dói, especialmente porque não há uma cena no documentário que não seja, de alguma forma, já conhecida ou, pelo menos, intuída. Ainda que eu não soubesse que uma vaca leiteira vivendo em regime de confinamento tem sua expectativa de vida reduzida de 20 para quatro anos, bastaria em algum momento ter dedicado um segundo a mais pensando na origem do queijo ingerido diariamente para chegar à conclusão de que a vaca invisível e anterior ao queijo na embalagem talvez não estivesse vivendo a vida a que tinha direito (independentemente de estar confinada ou ser uma "vaca feliz" do sítio mais natureba e bonzinho da feira ecológica do Bom Fim).&lt;br /&gt;Um segundo a mais. É esse tempo, que abre espaço para que a gente veja além do hábito cego cotidiano, que o filme propicia. Quase nada, afinal. E aí a ficha caiu: é por esse quase nada que bilhões – isso mesmo, bilhões – de animais são torturados e depois mortos a cada ano, porque tem sempre alguém exatamente como eu, prestando atenção ao queijo na embalagem sem lembrar, nem por um segundo, de uma única vaca sequer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[ segundo o site oficial, o download do filme não está mais liberado pelo diretor (as razões ele explica &lt;a href="http://www.isawearthlings.com/earthlingsforum/viewtopic.php?f=3&amp;amp;t=554"&gt;aqui&lt;/a&gt;), e agora há uma versão estendida do DVD com legendas em inglês, francês, espanhol e português (resta descobrir se já há distribuição no Brasil); de qualquer maneira o documentário segue postado no YouTube, onde pode ser encontrado organizado em partes através de links disponibilizados pelo GAE, &lt;a href="http://www.gaepoa.org/site/index.php?m=GaeTV"&gt;aqui &lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-1506303192033137265?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/1506303192033137265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=1506303192033137265&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/1506303192033137265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/1506303192033137265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2007/08/ficha.html' title='A ficha'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/RsHX-5IssWI/AAAAAAAAAA8/mzmPd0IDTWg/s72-c/earthlings.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-7991486921314556261</id><published>2007-08-13T14:36:00.000-03:00</published><updated>2007-09-29T13:23:15.738-03:00</updated><title type='text'>Para situar</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Veganismo:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;até onde sei ainda não é verbete no Aurélio e no Houaiss, mas vem do inglês "veganism", termo cunhado em 1944 com a criação em Londres da Vegan Society. A palavra se origina da contração do início e do fim de "vegetarianism", querendo traduzir um vegeterianismo estrito, ou seja, nada de consumo de produto de origem animal (não só carne, mas também leite, ovos, mel, etc.). Indo além da dieta, veganismo passou a designar um comportamento cuja motivação básica é ética, e diz respeito ao entendimento de que os seres sencientes não são coisas a serem consumidas ou usadas para qualquer fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Senciente:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;essa é verbete no Houaiss e é um primor de concisão: "&lt;em&gt;adjetivo de dois gêneros&lt;/em&gt;. que sente. 1 que percebe pelos sentidos. 2 que recebe impressões". Fácil, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Direito:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Gary Francione tem a definição mais bacana: "Um direito é simplesmente uma maneira de proteger um interesse." Segundo ele, há basicamente dois jeitos de proteger um interesse, um que protege um interesse apenas na medida em que isso traga conseqüências gerais desejáveis e outro que protege um interesse a despeito de qualquer conseqüência geral. Por exemplo, o seu interesse de expressar determinada opinião está protegido ainda que a conseqüência disso seja a minha contrariedade. Pois bem, um direito é essa segunda maneira de proteger um interesse. [ o artigo original, em inglês, você lê &lt;a href="http://www.abolitionistapproach.com/2007/01/"&gt;aqui&lt;/a&gt;, e a tradução, &lt;a href="http://www.gato-negro.org/content/view/64/48/"&gt;aqui&lt;/a&gt; ]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Animal:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;qualquer ser que não pertença a algum dos outros quatro reinos definidos pela biologia, onde se enquadram plantas, fungos, moneras e protistas. Você e eu, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Especismo:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;preconceito baseado na espécie do indivíduo; a crença de que o pertencimento dos animais não-humanos a outras espécies daria a nós, animais humanos, justificativa moral para sobrepujarmos os seus interesses pelos interesses da nossa própria espécie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos situados? Então simbora!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-7991486921314556261?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/7991486921314556261/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=7991486921314556261&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/7991486921314556261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/7991486921314556261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2007/08/para-situar.html' title='Para situar'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3348358879153889948.post-5658244040762503592</id><published>2007-08-11T13:00:00.000-03:00</published><updated>2008-11-18T03:46:17.410-02:00</updated><title type='text'>O blog</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Rr3_npIssVI/AAAAAAAAAA0/M4oCm8z0Xuk/s1600-h/catarina-03.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5097511409775587666" style="width: 430px; height: 142px;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Rr3_npIssVI/AAAAAAAAAA0/M4oCm8z0Xuk/s400/catarina-03.jpg" border="0" height="137" width="430" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas por quê?&lt;br /&gt;Neste mar de informações a rodo, pudor de colocar mais um elemento na paisagem supersaturada. Pra quê, afinal? E pra quem? Útil, inútil ou "esse nem é o ponto", o fato é mais simples e direto: as transformações detonadas a partir do entendimento que finalmente faz com que alguém se veja vegano vêm num volume e força enormes. Impossível dar conta disso com reflexões pequenas e privadas. Surge a ponta do fio, e aí o novelo não pára mais. O blog serve, então, pra falar das reflexões que acompanham essa mudança e as colocar em espaço amplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentários e contribuições são muitíssimo bem-vindos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3348358879153889948-5658244040762503592?l=vedevegano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vedevegano.blogspot.com/feeds/5658244040762503592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3348358879153889948&amp;postID=5658244040762503592&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/5658244040762503592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3348358879153889948/posts/default/5658244040762503592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vedevegano.blogspot.com/2007/08/o-blog.html' title='O blog'/><author><name>Cleber</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01104943256208497290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_9a0RABrhICU/Rr3_npIssVI/AAAAAAAAAA0/M4oCm8z0Xuk/s72-c/catarina-03.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
